FAPESP participa de nova oportunidade com academias britânicas

09 de agosto de 2017

Agência FAPESP – A FAPESP anuncia a participação em uma nova oportunidade para estimular a colaboração de grupos de pesquisa do Estado de São Paulo com parceiros no Reino Unido.

A oportunidade está voltada às áreas de ciências da natureza e ciências médicas. Trata-se de contrapartida da chamada de propostas anual entre diversas FAPs em articulação com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e academias britânicas, em que são apoiadas viagens de pesquisadores britânicos ao Brasil.

Promovida em conjunto pela Academy of Medical Sciences e a Royal Society, no âmbito do Newton Fund, a chamada pública Newton Advanced Fellowship está aberta a pesquisadores de todos os Estados brasileiros.

O fomento será disponibilizado por um prazo de até dois anos e contemplará bolsa para o coordenador do projeto, suporte à pesquisa, custos de treinamento, viagens e diárias.

São elegíveis propostas nas áreas de Física, Química, Matemática, Ciências da Computação, Engenharia, Agricultura, Biologia e Pesquisa Médica, Arqueologia, Geografia, Psicologia Experimental e Clínica ou Pesquisa Orientada ao Paciente.

A proposta deverá ser elaborada em conjunto com um parceiro britânico. A submissão deverá ser feita diretamente no site da Royal Society (em https://royalsociety.org/grants-schemes-awards/grants/newton-advanced-fellowships/) até o dia 6 de setembro de 2017 (15:00 BST).

O cronograma de trabalho deverá ser iniciado em março de 2018.

Os critérios de elegibilidade e mais detalhes sobre os requisitos e condições para o envio de propostas podem ser acessados na chamada em https://royalsociety.org/grants-schemes-awards/grants/newton-advanced-fellowships/.

Mais informações: newtonadvancedfellowships@royalsociety.org ou (+44) 20 7451-2291

Estudo identifica alterações genéticas que tornam mais agressivo um tipo de tumor

09 de agosto de 2017

Peter Moon  |  Agência FAPESP –  Entre os diversos tipos de tumores cerebrais cancerígenos, 70% são astrocitomas, cuja fatalidade pode chegar a 90% dos casos. O astrocitoma se desenvolve a partir das maiores e mais numerosas células do sistema nervoso central, os astrócitos, assim chamados por ter a forma de estrelas.

Pesquisa desenvolvida pela bióloga Valeria Valente, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, com apoio da FAPESP, busca identificar os mecanismos que tornam os astrocitomas tão agressivos e encontrar formas de melhorar o tratamento de cada paciente.

Realizado no âmbito do Centro de Terapia Celular (CTC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP, o estudo identificou as alterações genéticas com maior potencial de promover agressividade, revelando potenciais biomarcadores de prognóstico e genes candidatos a alvos terapêuticos.

“Descobrimos que é muito forte a correlação existente entre as alterações na expressão dos genes de reparo das células de astrocitoma e o diagnóstico de sobrevida dos pacientes”, resume Valente.

A pesquisa teve como foco o glioblastoma, um dos quatro subtipos em que a Organização Mundial de Saúde classifica os astrocitomas e o mais agressivo: pacientes com esse tipo de tumor têm uma sobrevida média de 14 meses.

“O interesse é caracterizar as alterações celulares que promovem o comportamento agressivo do glioblastoma, um tumor cuja mortalidade é muito alta, praticamente intratável, tanto pela agressividade quanto por sua localização, num órgão delicado e vital como o cérebro”, explica Valente.

Ela e a equipe trabalharam com células de astrocitoma coletadas de 55 pacientes no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto buscando assinaturas de expressão gênica associadas ao tempo de sobrevida dos pacientes. Os resultados dessa investigação foram publicados em Tumor Biology.

Entre as amostras analisadas havia 42 células de glioblastomas (tipo 4), seis de astrocitomas do tipo 3 e seis astrocitomas do tipo 2, muito menos agressivas, porém ainda assim fatais: a sobrevida dos doentes pode chegar a cinco anos.

“Nestas comparações, encontramos 19 genes com a sua expressão significativamente alterada. Em alguns deles a expressão se encontrava reduzida. Mas na maioria dos casos a expressão estava muito aumentada. Alguns deles estavam até 100 vezes mais expressos no tecido tumoral do que no tecido sadio”, explica Valente.

“Então, definimos assinaturas de expressão gênica que representam estas alterações isoladas ou em todas as combinações possíveis e investigamos se havia correlação entre a presença da assinatura e a sobrevida dos pacientes.” Esta busca foi feita utilizando um conjunto de casos bem maior, cujos dados estão disponíveis publicamente, o que confere força estatística para o estudo.

Uma vez detectadas as assinaturas genéticas existentes nas amostras, os pacientes eram separados em dois grupos, aqueles que carregavam determinada assinatura e aqueles que não a carregavam. Após verificar o tempo médio de sobrevida em cada grupo, pudemos identificar assinaturas relacionadas ao pior prognóstico dos pacientes. Estabeleceu-se assim uma metodologia capaz de predizer a agressividade da doença com base na presença de cada uma das assinaturas gênicas. “A alteração em um único gene pode estar relacionada com o pior diagnóstico”, afirma a bióloga.

“Desenvolvemos uma estratégia para correlacionar as assinaturas gênicas com o comportamento tumoral, o que pode possibilitar a predição do prognóstico dos pacientes e impulsionar o desenvolvimento de novas terapias”, afirma Valente.

Enquanto não se encontra uma cura para os astrocitomas mais agressivos, a prioridade dos oncologistas é detectar o mais cedo possível a sua existência, de modo a iniciar rapidamente o tratamento (cirúrgico, radioterápico, quimioterápico) e assim poder prolongar ao máximo a sobrevida dos pacientes.

O artigo Expression signatures of DNA repair genes correlate with survival prognosis of astrocytoma patients, doi: 10.1177/1010428317694552, assinado por Juliana Ferreira de Sousa, Raul Torrieri, Rodolfo Bortolozo Serafim, Luis Fernando Macedo Di Cristofaro, Fábio Dalbon Escanfella, Rodrigo Ribeiro, Dalila Lucíola Zanette, Maria Luisa Paçó-Larson, Wilson Araujo da Silva, Daniela Pretti da Cunha Tirapelli, Luciano Neder, Carlos Gilberto Carlotti, Valeria Valente, publicado em Tumour Biology está acessível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28378638

Novas tecnologias no transporte e armazenamento de vinhaça reduzem emissões de metano

09 de agosto de 2017

Elton Alisson  |  Agência FAPESP – A adoção de novas tecnologias de transporte e armazenamento de vinhaça (principal resíduo da produção de etanol) pelas usinas tem contribuído para diminuir as emissões de gases de efeito estufa pela produção do biocombustível.

A constatação é de um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Os resultados do estudo, realizado com apoio da FAPESP, foram publicados na revista Atmospheric Environment.

“O setor de produção de etanol tem adotado novas tecnologias para o transporte e armazenamento de vinhaça, o que têm contribuído para a redução das emissões de metano [principal gás de efeito estufa produzido pelo resíduo]”, disse Bruna Gonçalves de Oliveira, pós-doutoranda no Instituto Agronômico (IAC) com Bolsa da FAPESP e primeira autora do estudo, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores quantificaram as emissões de metano pelos dois principais sistemas de armazenamento e transporte de vinhaça utilizados pelas usinas hoje: o tradicional, composto por canais abertos (valas) revestidos e não revestidos, e um método mais novo, formado por tanques e tubos fechados.

As análises dos dados comparativos indicaram que as emissões pelo sistema de tanques e tubos fechados foram 620 vezes menores do que pelo método de canais abertos.

“Essa diferença se deve às características que o sistema de armazenamento e transporte composto por tanques e tubulações apresenta. Transportar a vinhaça de um tanque para o outro por tubulações com elevada pressão pode oxigenar o produto, modificando as condições de anaerobiose [ausência de oxigênio] favoráveis à produção de metano”, explicou Oliveira.

Evolução dos sistemas

De acordo com a pesquisadora, que realizou doutorado no Cena-USP também com Bolsa da FAPESP, para produzir um litro de etanol de cana-de-açúcar são gerados, em média, 13 litros de vinhaça – um líquido originado da destilação fracionada do caldo da cana para obter o biocombustível.

A fim de reduzir os impactos ambientais causados pelo resíduo, que contém altas concentrações de matéria orgânica, potássio e sulfatos, a indústria do etanol no Brasil decidiu há aproximadamente 30 anos que a solução mais barata e simples seria descartar a vinhaça e aplicá-la diretamente em plantações de cana-de-açúcar, como fertilizante.

Para armazenar e transportar a vinhaça até as plantações, as usinas utilizaram inicialmente um sistema composto por canais abertos, revestidos ou não por uma manta plástica ou concreto, por meio dos quais o resíduo é transportado por gravidade e bombeamento até as plantações de cana.

Contudo, a quantidade de gases de efeito estufa, como o metano, emitido pela vinhaça nesse sistema de armazenamento e transporte não tinha sido quantificada e não é contabilizada nos inventários de gases de efeito estufa gerados na produção de etanol, ponderou Oliveira.

“Os balanços de gases de efeito estufa gerados na produção do etanol só levam em consideração as emissões na aplicação da vinhaça no campo”, afirmou.

A fim de obter essa estimativa, durante seu mestrado, realizado sob orientação de Brigitte Josefine Feigl, pesquisadora do Cena-USP e coordenadora do projeto, Oliveira quantificou as emissões de metano da vinhaça a partir do momento em que o resíduo saía de uma usina e era transportado para o campo por meio de um canal aberto com 40 quilômetros de extensão, cuja maior parte não tinha revestimento; apenas um pequeno trecho era revestido por cimento.

As análises indicaram que 98% das emissões totais de gases, como o metano, ocorriam durante o armazenamento e transporte da vinhaça por esse sistema de canais abertos.

“As emissões de nitrogênio durante a aplicação da vinhaça no campo, que são contabilizadas nos inventários, contribuíram com menos de 2% do total das emissões”, ponderou Oliveira.

Comparação dos sistemas

Por força de uma norma estabelecida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), as usinas paulistas passaram a revestir a maior parte da extensão dos canais abertos para armazenamento e escoamento da vinhaça de modo a impedir que o resíduo infiltre o solo e contamine o lençol freático.

Algumas dessas usinas, como a que a pesquisadora estudou durante seu doutorado, no esforço de uma solução mais sustentável, adotaram o sistema composto por tubos subterrâneos e tanques.

Até então, não haviam sido realizados estudos para avaliar se essas melhorias poderiam alterar as condições para produção de metano e reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa durante a produção de etanol.

“Nosso objetivo foi avaliar como os impactos dos avanços na forma de armazenar e transportar a vinhaça afetam as emissões de gases do efeito estufa”, disse Oliveira.

Para isso, os pesquisadores monitoraram por duas safras inteiras, durante os anos de 2012 e 2013, a emissão de metano nos sistemas de armazenamento e transporte da vinhaça adotados por duas usinas situadas nas regiões de Piracicaba e Bauru, no interior de São Paulo.

Uma das usinas usava um sistema de canais abertos, com 1,5 metro de largura, 0,6 metro de profundidade e 60 quilômetros (km) de extensão, dos quais 40 km eram revestidos com cimento e os outros 20 km não, o que possibilitava que a vinhaça entrasse em contato direto com o solo.

A outra usina adotava um sistema composto por 10 tanques revestidos com membrana de polietileno, que bombeavam a alta velocidade a vinhaça armazenada temporariamente para as plantações de cana por meio de tubos fechados.

As análises dos dados indicaram que, em geral, a intensidade de emissão de metano foi da ordem de 1,36 kg de CO2 equivalente por metro cúbico (m3) de vinhaça transportada em canais abertos e 620 vezes maiores do que o resíduo transportado através do sistema de tanques e tubos fechados.

Cerca de 80% das emissões de metano no sistema de canais abertos foram registradas nos trechos não revestidos.

“A vinhaça fornece os nutrientes e as condições ideais de temperatura e anaerobiose para os microrganismos presentes no solo dos trechos sem revestimento dos canais abertos realizarem a metanogênese e emitir metano. E isso não acontece nos sistemas de tanques e tubos fechados”, disse Oliveira.

Nos sistemas fechados a vinhaça chega a uma temperatura de 60 ºC, o que inibe a ação microbiológica. Além disso, a pressão com que é bombeada é muita alta, o que reduz a possibilidade de o material orgânico do resíduo ser decantado no fundo dos tanques e decomposto por microrganismos, originando metano.

A alta pressão com que a vinhaça é bombeada nos sistemas de tanques e tubos fechados também faz com que o resíduo seja oxigenado, diminuindo a condição de anaerobiose (falta de oxigênio) para os microrganismos produzirem metano (metanogênese).

“A oxigenação reduz o potencial redox [de oxidação e redução] da vinhaça e de anaerobiose. Dessa forma, a atividade microbiana metanogênica é limitada ou até mesmo inexistente, reduzindo as emissões de metano”, explicou.

Com base nessas constatações, os pesquisadores concluíram que os sistemas de tanques e tubos fechados para armazenagem e transporte da vinhaça podem ser uma estratégia efetiva para mitigar as emissões de metano durante o processo de produção de etanol da cana.

E que a adoção de novas tecnologias e melhorias nos sistemas de armazenamento e distribuição de vinhaça devem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

“Somadas a esses fatores, algumas inovações que começam a ser implementadas no setor sucroenergético, tal como a concentração e a biodigestão da vinhaça, podem reduzir ainda mais as emissões de gases do efeito e, desse modo, fazer com que o etanol de cana seja um biocombustível ainda mais limpo e sustentável”, disse Oliveira.

O artigo Methane emissions from sugarcane vinasse storage and transportation systems: Comparison between open channels and tanks (doi: /10.1016/j.atmosenv.2017.04.005), de Oliveira e outros, pode ser lido por assinantes da revista Atmospheric Environment em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1352231017302339.

FCFRP-USP abre inscrição para concursos para docente

27 de julho de 2017

Agência FAPESP – A Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP está com três vagas para docente abertas: duas para Professor Doutor com prazo de inscrição até 14 de setembro de 2017 e uma para Professor Titular com prazo de inscrição até 22 de janeiro de 2018.

Uma das vagas para Professor Doutor é para o Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas, nas áreas de conhecimento Microbiologia Aplicada e Genética e Mutagênese, com base nos programas das disciplinas de Genética, Bioagentes, Fisiopatologia, Farmacologia e Química Farmacêutica III, Atenção Diagnóstica de Doenças Infecciosas e Parasitárias e Atenção Diagnóstica em Doenças Hematológicas, Imunológicas, Metabólicas e Endocrinológicas.

A outra vaga para Professor Doutor é para o Departamento de Ciências Farmacêuticas, nas áreas de conhecimento Engenharia Química: Nanotecnologia e Glicobiologia. Ambas as vagas para Professor Doutor receberão salário de R$ 10.670,76.

Já o cargo para Professor Titular é para o Departamento de Física e Química, na área de conhecimento de Química Orgânica, com salário de R$ 15.862,33.

Os pedidos de inscrição deverão ser feitos, exclusivamente, por meio do site USP Digital , devendo o candidato apresentar requerimento dirigido à Diretora da FCFRP, contendo dados pessoais e área de conhecimento (especialidade) do Departamento a que concorre, anexando os documentos exigidos no edital de abertura.

Mais informações: http://fcfrp.usp.br/concursos-docente/#.WW-ZURXysdV

Sírio-Libanês abre inscrições para Pós em Gestão em Saúde

26 de julho de 2017

Agência FAPESP – O Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa está com inscrições abertas para a pós-graduação em Gestão em Saúde. O curso tem o objetivo de discutir as boas práticas e incentivar a adoção de modelos que levem à sustentabilidade do setor. O prazo de inscrição vai até o dia 27 de agosto.

O programa tem duração de 15 meses, a partir do próximo mês de setembro. Ao todo, serão 492 horas distribuídas em atividades supervisionadas, presenciais e a distância, que contam com uma nova e moderna plataforma de aprendizagem – Learning Management System (LMS) – totalmente mobile e capaz de promover um ensino personalizado aos alunos. Também serão realizadas visitas técnicas e estágios programados nas instalações do hospital e de associados.

Cada bloco de conhecimento contará com vídeotransmissão, tendo como palestrante um gestor ou docente de uma instituição internacional parceira, entre outras.

Para mais informações acesse https://iep.hospitalsiriolibanes.org.br/web/iep/-/especializacao-em-gestao-em-sau-2.

Centrinho abre inscrições para residências multiprofissionais em saúde

Agência FAPESP – O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru está com 37 vagas abertas para os Programas de Residência em Área Profissional da Saúde nas modalidades uni e multiprofissional, para o período letivo 2018-2020. O edital prevê bolsa mensal para os residentes no valor de R$ 3.330,43, concedida pelo Ministério da Saúde.

Dessas vagas, 20 são para o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Auditiva (sendo 13 para Fonoaudiologia, três para Psicologia e quatro para Serviço Social) e 17 para o Programa de Residência em Síndromes e Anomalias Craniofaciais (quatro para Enfermagem, três para Fonoaudiologia, seis para Odontologia, uma para Psicologia e três para Serviço Social). As residências têm duração de dois anos e carga horária de 60 horas semanais de atividades teóricas e práticas.

O objetivo dos dois programas oferecidos no HRAC/Centrinho é formar profissionais de saúde, especialistas em Saúde Auditiva ou em Síndromes e Anomalias Craniofaciais, com visão humanista, reflexiva e crítica.

Os candidatos deverão ter concluído o bacharelado nos cursos de graduação das áreas profissionais disponíveis até o dia 1º de março de 2018. As inscrições e a seleção serão realizadas pela Fuvest. A taxa é de R$ 265,00 e os interessados devem se inscrever até as 23h59 do dia 17 de agosto, pelo site da Fuvest.

O processo seletivo terá duas fases. A primeira será constituída de prova objetiva e realizada no dia 3 de setembro nos municípios de Bauru, Ribeirão Preto e São Paulo. A segunda fase é composta por duas etapas: prova dissertativa, em 8 de outubro, e análise curricular presencial, de 9 a 11 de outubro. Os programas terão início em março de 2018.

Mais informações: http://hrac.usp.br/extensao/processos-seletivos/.

Grupo da USP propõe nova estratégia terapêutica para o tratamento do câncer

26 de julho de 2017

Karina Toledo | Agência FAPESP – Sempre que o organismo sofre uma agressão – seja um simples corte no dedo ou uma cirurgia – as células no entorno da lesão recebem sinais para se proliferarem mais intensamente, de modo a regenerar o tecido danificado.

No caso do câncer não é diferente. Muitas vezes, as células tumorais são praticamente eliminadas pelo tratamento com radio ou quimioterapia e, depois de algum tempo, retornam ainda mais agressivas.

Em um projeto apoiado pela FAPESP e coordenado pela professora Sonia Jancar, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) mostraram que uma proteína conhecida como PAFR (receptor do fator de ativação plaquetária, na sigla em inglês) desempenha um papel-chave nesse fenômeno de repopulação tumoral – pelo menos em alguns tipos de câncer já estudados pelo grupo.

Parte dos resultados foi publicada recentemente na revista Oncogenesis, do grupo Nature.

“Em experimentos com linhagens tumorais e em camundongos, observamos que fármacos capazes de bloquear PAFR inibiram significativamente o crescimento dos tumores e o fenômeno da repopulação tumoral após radioterapia. Sugerimos, portanto, a associação da radioterapia com antagonistas desse receptor como uma nova e promissora estratégia terapêutica”, disse Jancar à Agência FAPESP.

Como contou a pesquisadora, a linha de investigação teve início ainda na década de 1990, durante o doutorado de Denise Fecchio, quando o grupo mostrou que tumores induzidos na cavidade peritoneal de camundongos cresciam significativamente menos quando PAFR era bloqueado. Nesse trabalho, os pesquisadores observaram que o tratamento com antagonistas do receptor ativou os macrófagos (um tipo de célula de defesa) e inibiu o crescimento do câncer. O trabalho foi publicado na revista Inflammation.

Alguns anos depois, durante o doutorado de Soraya Imon de Oliveira – em colaboração com o professor da Faculdade de Medicina da USP Roger Chammas –, o grupo mostrou que, em camundongos tratados com antagonistas de PAFR, o melanoma também cresce menos. Os resultados foram divulgados no periódico BMC Cancer.

Mais recentemente, durante o doutorado de Ildefonso Alves da Silva Junior, o grupo comprovou que a ativação desse receptor induz a proliferação das células tumorais, protegendo-as da morte induzida pela radioterapia. O trabalho foi orientado pela professora do ICB-USP Ana Paula Lepique e contou com a colaboração da equipe de Chammas.

“Silva-Junior mostrou que a irradiação induz a produção de moléculas semelhantes ao PAF, que ativam o PAFR na célula tumoral e induzem um aumento na expressão desse receptor e a proliferação das células tumorais. Essa ativação, portanto, promove a repopulação tumoral. Esse trabalho confirmou ainda, por métodos mais sensíveis, que os macrófagos existentes no microambiente do tumor, quando são tratados por fármacos bloqueadores do PAFR, são reprogramados para combaterem melhor a doença”, contou Jancar.

Ensaios pré-clínicos

Os experimentos que comprovaram o envolvimento de PAFR no fenômeno de repopulação tumoral foram feitos com linhagens de carcinoma de boca (humana) e de carcinoma de colo uterino (de camundongo) – tipos de câncer preferencialmente tratados por meio da radioterapia.

As células tumorais foram colocadas em um meio de cultura e, depois que começaram a crescer, foram irradiadas – simulando um tratamento radioterápico. Logo após o procedimento, foi possível observar grande produção de moléculas semelhantes ao PAF nas culturas.

“O PAF é na verdade, um fosfolipídeo produzido principalmente em processos inflamatórios e de morte celular. Como a radioterapia causa uma morte inflamatória das células tumorais, os níveis de PAF aumentam muito com esse tratamento”, explicou Silva-Junior.

Os pesquisadores então trataram parte das culturas com drogas capazes de bloquear o receptor do PAF. Diferentes moléculas foram testadas – inclusive algumas já disponíveis no mercado, mas que nunca haviam sido usadas contra o câncer.

Análises feitas logo após o tratamento mostraram que, nas linhagens expostas aos antagonistas de PAFR, o índice de morte celular pela radioterapia foi até 30% maior do que nas culturas não tratadas. Uma nova verificação feita nove dias depois revelou que, nas linhagens não tratadas, o índice de proliferação celular era bem maior, em torno de 50% a mais do que nas culturas tratadas com o bloqueador.

O passo seguinte foi injetar essas linhagens tumorais – depois de irradiadas – embaixo da pele de camundongos para observar o fenômeno de repopulação tumoral in vivo, situação em que há interação com células imunológicas e com outros fatores. Cerca de 30 dias depois da injeção, os pesquisadores mediam o volume do tumor.

“Nesse experimento usamos duas linhagens tumorais modificadas geneticamente: uma que superexpressa o PAFR e outra que não expressa esse receptor. A repopulação tumoral só aconteceu efetivamente nos animais que receberam a linhagem com superexpressão de PAFR”, contou Silva-Junior.

Em um terceiro experimento, camundongos receberam pela injeção, além das células tumorais, uma espécie de célula-controle modificada geneticamente para expressar uma enzima que produz luz, servindo como um marcador dentro do tumor.

“A célula-controle não foi irradiada, mas foi exposta ao mesmo ambiente e recebeu os sinais que o tumor estava produzindo para estimular a proliferação celular. Por meio de uma tecnologia conhecida como IVIS [Sistema de Imagem In Vivo, na sigla em inglês] foi possível medir a proliferação dessas células luminescentes e calcular o quanto a irradiação estava induzindo a repopulação do tumor”, explicou.

Resultados mostraram que, nos animais que receberam a linhagem que superexpressa PAFR, a taxa de proliferação foi 30 vezes mais alta quando as células eram irradiadas em comparação aos que receberam a mesma linhagem não irradiada.

Próximos passos

Com o objetivo de avaliar se o fenômeno observado não é específico das linhagens tumorais estudadas até o momento, o grupo do ICB-USP está replicando os experimentos em outros 10 tipos de tumores humanos. Também estão sendo feitos ensaios em que os antagonistas de PAFR são testados em associação com medicamentos quimioterápicos.

O grupo do ICB-USP testa ainda novos tipos de inibidores de PAFR nas linhagens tumorais, inclusive um grupo de moléculas isolado de um fungo marinho pela equipe do professor Roberto Berlinck, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP).

“Várias dessas moléculas se mostraram potentes antagonistas de PAFR, capazes de inibir o fenômeno de repopulação tumoral. Embora a descoberta seja relevante, o caminho para sua validação e uso em testes clínicos é longo e demanda associação entre pesquisadores da área básica, como nós, químicos para síntese de moléculas e clínicos, para testes em pessoas sadias e pacientes”, avaliou Jancar.

Para a pesquisadora, o ideal seria resgatar estudos clínicos com antagonistas de PAFR feitos na década de 1980 em pacientes com asma e pancreatite. “Para essas doenças os ensaios foram negativos, mas podem ser positivos contra o câncer. Espero que nossas publicações alertem outros pesquisadores da área para que possam dar esse passo. Enquanto isto estamos avaliando formas de proteger os achados”, disse Jancar.

O artigo “Platelet-activating factor (PAF) receptor as a promising target for cancer cell repopulation after radiotherapy” pode ser lido em: http://www.nature.com/oncsis/journal/v6/n1/full/oncsis201690a.html#aff1.

ICMC-USP, em São Carlos, contrata docentes temporários

20 de julho de 2017

Agência FAPESP – O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, abriu processo seletivo para contratação de docentes temporários nas área de Ciências de Computação, de Sistemas de Computação e de Otimização.

Os professores serão contratados com jornada de 12 horas semanais e salários de R$ 1.849,66, para os contratados com título de doutor, e R$ 1.322,41, para os contratados com título de mestre, além de auxílio alimentação no valor de R$ 690,00 e assistência médica.

A contratação será por prazo determinado e vigorará a partir da data do exercício e até 31 de julho de 2018, com possibilidade de prorrogações. O contratado poderá ministrar aula nos períodos diurno e noturno, dependendo das necessidades do Departamento.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente via internet. Os interessados nas vagas nas áreas de Ciências da Computação e Sistemas de Computação tem prazo para inscrever-se até às 17 horas do dia 26 de julho de 2017 pelo site USP Digital .

Mais informações: e-mail sacadem@icmc.usp.br.

Detalhes sobre prazos, provas e documentações estão disponíveis nos editais para a área de Ciências de Computação e para a área de Sistemas de Computação.

O prazo de inscrição para a vaga na área de Otimização encerra às 17 horas do dia 27 de julho. As inscrições devem ser feitas no endereço https://uspdigital.usp.br/gr/admissao. O edital completo está disponível em icmc.usp.br/e/e85a8.

Pós-doutorado em Síntese Orgânica na UFSCar com Bolsa da FAPESP

19 de julho de 2017

Agência FAPESP – O Centro de Pesquisa em Química Sustentável (CERSusChem), apoiado pela FAPESP e pela empresa GlaxoSmithKline (GSK), oferece uma bolsa de Pós-Doutorado da Fundação para doutores com experiência em Síntese Orgânica. Prazo de inscrição termina dia 29 de julho de 2017. O bolsista integrará a equipe de pesquisadores do CERSusChem, localizado no Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e que tem como pesquisadora responsável a professoraArlene Gonçalves Corrêa .

O objetivo do Centro “Green chemistry: sustainable synthetic methods employing benign solvents, safer reagents, and bio-renewable feedstock” é promover o desenvolvimento e uso efetivo da química sustentável, com envolvimento da pesquisa acadêmica, industrial farmacêutica e de biotecnologia para superar os desafios atuais em síntese orgânica focada nos princípios da química sustentável, como a abordagem livre de solventes, mescla da organocatálise com reações de multicomponentes, nanomateriais, biocatálise e novos modelos para análise de ligante de proteína.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros altamente qualificados. Os candidatos devem possuir título de Doutor obtido há no máximo 7 (sete) anos, no país ou no exterior, e experiência comprovada no desenvolvimento de reações envolvendo catálise assimétrica homogênea. A aplicação de catálise assimétrica na síntese de moléculas bioativas será considerada um adicional. Experiência em língua inglesa e capacidade de trabalhar em equipes interdisciplinares também são desejadas.

As inscrições serão recebidas exclusivamente por e-mail, com documentação anexa em formato PDF e enviadas paracersuschem@ufscar.br. Documentos necessários: currículo resumido incluindo trabalhos publicados que atestem a capacidade de realização do projeto.

Mais informações sobre a vaga estão disponíveis em www.fapesp.br/oportunidades/1624.

O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista de PD resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação. Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em fapesp.br/oportunidades.

Nobel de Química 2016 defende foco de pequisa em ciência básica

18 de julho de 2017

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – Ao posar para a foto, o escocês naturalizado americano Sir James Fraser Stoddart, Prêmio Nobel de Química 2016, pergunta aos fotógrafos se precisa fazer cara de Sean Connery. Diferente do conterrâneo, Stoddart ainda está se acostumando com a vida de celebridade que de certa forma tem levado.

Em visita ao Brasil, para o 46º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC 2017), o Prêmio Nobel deu entrevistas e mais de 100 autógrafos. No fim do dia estava cansado e também extremamente emocionado. “Nunca fui tão bem recebido como aqui no Brasil”, disse.

Stoddart dividiu o Prêmio Nobel de Química 2016 com Jean-Pierre Sauvage e Bernard L. Feringa pela concepção e produção de máquinas moleculares, ou nanomáquinas, um avanço que abriu o caminho para os primeiros materiais inteligentes do mundo.

De acordo com o comitê do Nobel, o trio desenvolveu “as menores máquinas do mundo”. A tecnologia já está sendo usada para criar micro robôs e materiais que se auto reparam sem a necessidade de intervenção humana.

Em organismos vivos, as células executam funções com regulação de temperatura e reparação de dano assim como as máquinas moleculares. O que o trio conseguiu fazer foi replicar esse tipo de função em moléculas sintéticas, que convertem energia química em movimento mecânico, podendo assim executar várias funções.

As aplicações são inúmeras e podem levar a novas práticas na medicina e em tecnologia da informação. Ou como diz Stoddart: “O Nobel de Química 2016 foi para uma descoberta de ciência básica a partir de um desenvolvimento básico. Mas você sabe que toda máquina inventada até agora levou a uma mudança incrível em nossas vidas”.

Ele é um defensor ferrenho da pesquisa básica. “Os jovens precisam encontrar problemas difíceis e então solucioná-los, sem se preocupar com a aplicação.” Após ser laureado, Stoddart está criando uma startup de mineração de ouro: a partir das máquinas moleculares será possível separar o ouro sem o uso de contaminantes e de modo muito mais econômico.

Enquanto isso, Stoddart viaja o mundo para dar palestras e se integrar com pesquisadores mais jovens. No dia da premiação do Nobel, na Suécia, filhas, netos e genros foram à cerimônia e fizeram uma espécie de cobertura ao vivo pelo Twitter, com várias fotos da viagem em família.

Em um dos tweets, uma das filhas legendou a foto de Stoddart em traje de gala escocês e com o celular na mão. “Na véspera de sua palestra @NobelPrize, @sirfrasersays está viciado no ‘twitter’”, tuitou. E de fato ele está encantado com a ferramenta que descobriu há poucos meses. “É uma maneira muito boa de alcançar várias pessoas, principalmente as mais novas, e quem sabe uma forma de inspirá-las. Sei que mudanças são as únicas formas de sobreviver”, disse.

Leia abaixo a entrevista que o Nobel de Química 2016 concedeu à Agência FAPESP:

Agência FAPESP  Como a vida do senhor mudou desde que venceu o Prêmio Nobel no ano passado?
James Fraser Stoddart – É uma mudança e tanto desde quando o telefone tocou e eu fui acordado às 4 horas da manhã em Chicago (EUA). Eu dormia profundamente e talvez não estivesse preparado para receber a notícia. Precisei de 10 minutos para me dar conta do que estava acontecendo. A partir daí houve um ataque natural e imediato da mídia. Dei várias entrevistas. Continuo tentando desenvolver uma maneira de lidar com tudo isso. Ter o status de celebridade aos 74 anos de idade, sendo que eu não fui treinado para isso… Eu me compadeço, mas não gostaria de fazer isso por toda a vida.

Agência FAPESP  Como as máquinas moleculares podem transformar o mundo?
Stoddart  Elas vão desempenhar seu papel na considerável revolução tecnoindustrial que teremos nas próximas décadas. Foi uma descoberta básica a partir de um desenvolvimento de pesquisa básica. Mas você sabe que toda máquina inventada até hoje levou a uma mudança incrível em nossas vidas: da máquina a vapor para motor elétrico e para o motor de combustão interna. Já pensou em tudo o que aconteceu no desenvolvimento subsequente dessas máquinas? Por isso, começo a achar que com as máquinas moleculares estaremos em um caminho espetacular nas próximas décadas.

Agência FAPESP  E nesse caso quais são as aplicações?
Stoddart  Elas têm várias aplicações que levarão a novas práticas em saúde médica e a novos desenvolvimentos em tecnologia da informação. É difícil pensar em detalhes no momento, mas as aplicações são enormes. Eu estou apaixonado com um projeto que pode revolucionar a mineração de ouro. Com uma equipe de pesquisadores da Northwestern University, em Chicago, criamos uma startup que está testando método de separação do ouro na mineração com o uso de máquinas moleculares. É uma maneira muito mais barata e ecológica de fazer isso, que não contamina a natureza, nem as pessoas que trabalham em mineração. Estou muito animado de poder ajudar meus alunos e ver como uma pesquisa que ganhou o Nobel possa ser usada nos dias de hoje.

Agência FAPESP  Qual foi a sua motivação para fazer pesquisa?
Stoddart  A minha motivação foi algo que eu desenvolvi ao longo de toda a minha vida. Em relação a máquinas moleculares, é tudo sobre o movimento, o que chamamos de dinâmica, e é assim que conduzimos a maneira de projetar e operar. Para explicar melhor, eu preciso fazer um pequeno retrospecto. Eu morei em uma fazenda quando era garoto que deve ter tido eletricidade só quando eu já estava com uns 17 anos. E eu acho que nessa época eu ficava sonhando em algo útil no mundo. Então optei pela Ciência. Fui para Edimburgo e fui abençoado por ter na escola professores excelentes que poderiam muito bem ser de universidades. Naquela época eu não percebia isso tudo, mas foi um grande começo. E talvez essa seja a raiz do meu sucesso como cientista. Mas, em retrospectiva, tive muita sorte também de ir para a Universidade de Edimburgo. Talvez o ensino não tenha sido tão bom quanto poderia ter sido naquela época. Mas às vezes não ter o devido treinamento formal e ter outros em outras áreas te deixa sem deficiências. E você percebe que se você tem essas deficiências, precisa ser mais criativo para ir para frente. Às vezes, não é que não se esteja andando nos trilhos, não se está andando nos mesmos trilhos que a maioria das pessoas estão. Você está em trilhos diferentes.

Agência FAPESP  Nesta época o senhor contou com algum conselho importante?
Stoddart – Sim. Quando eu fui para o Canadá, no fim do meu PhD. Era uma época que estava precisando pensar fora da caixa e procurar coisas diferentes para fazer. Foi quando o meu professor em Edimburgo me deu um conselho muito bom: “ O que quer que você faça comece tentando encontrar um grande problema”. E eu tive essa ideia de estudar que resultou nas nanomáquinas. Foi um problema que começou a vagar pela minha cabeça enquanto eu lia cansado na biblioteca. E novamente fui abençoado quando meu orientador de pós-doutorado, depois de nove meses da minha chegada ao Canadá, disse que estava indo para o Brasil.

Agência FAPESP  Para o Brasil?
Stoddart  Pois é. Para o Brasil, para Curitiba mais precisamente, passar um ano. Naquela época, em 1972, não havia e-mail e serviços postais rápidos, nem telefone era fácil. E então eu acabei ficando livre para explorar minhas próprias ideias, do jeito que eu estava acostumado a fazer na fazenda do meu pai quando era criança. Meu orientador gostou muito daquilo e eu cheguei até a visitar o Brasil naquela época, pela primeira vez.

Agência FAPESP  Em sua opinião, que área da química pode representar uma nova era? Que conselhos daria para cientistas mais jovens?
Stoddart  Bom, se eu soubesse qual será a nova fronteira a atravessar na química, certamente não estaria sentado aqui fazendo palestras e dando entrevistas. Estaria no laboratório, pesquisando com meus alunos. Eu costumo sempre dizer para os meus alunos: você não deve voltar para o seu país ou ir para outro país e praticar a mesma química que praticou durante o seu PhD. Se fizer isso, tudo o que vai conseguir é elevar o status de seus mentores. O que digo é que eles devem encontrar uma área de pesquisa que seja muito diferente, de forma que, se houver progresso substancial, o nome do pesquisador e do laboratório estarão associados a esse progresso. Digo também que eles não devem pensar em ganhar um Prêmio Nobel. Isso é meio louco porque em química há apenas 175 desde 1901. Pode ou não acontecer. Esse não é um sonho valioso, mas acho que ser um cientista de sucesso, sim. É preciso ser capaz, de uma forma ou de outra, de encontrar algo que não seja muito popular até o momento em que você entra em campo.

Agência FAPESP  Foi isso que o senhor fez durante a vida acadêmica?
Stoddart – Eu tive sorte de que havia um vislumbre da “ligação mecânica”; o nome tinha sido cunhado em 1953 e praticamente nenhum progresso estava sendo feito. Era ainda uma série de experiências malsucedidas que, na melhor das hipóteses, tiveram um vislumbre de sucesso. Mas eu comecei a ver possibilidades ali. E quando o experimento funciona de uma maneira muito convincente, apontando para uma ruptura ou para uma grande descoberta, todos ficam muito motivados. E isso dá um enorme prazer. Lembro que, no início dos anos 1990 já era tarde da noite quando o grupo apresentou 79 ideias que poderíamos implementar com base nessa descoberta. E é incrível como os jovens inteligentes de todo o mundo, e todos são muito semelhantes nisso, se engajaram na busca do conhecimento. Em termos de ciência básica, acho que os alunos mais brilhantes se adaptam melhor a isso do que ao espectro de uma aplicação.

Agência FAPESP – Mas parece que a preocupação é sempre maior com a aplicação, não?
Stoddart  Acho que isso tem mudado um pouco nos últimos anos, pois eles têm sido bombardeados pela mídia em termos de aplicações, aplicações, aplicações. Alguns cientistas acabam sendo sensibilizados por isso. Mas eu vejo que os melhores estudantes que vieram para o meu grupo não chegam pensando em aplicação, mas em fazer pesquisas fundamentais – porque eles simplesmente gostam de fazer – e encontrar soluções para problemas muito difíceis. E isso basta para que acordem às 7 da manhã e fiquem até tarde com seus estudos.

Agência FAPESP  O senhor já fez críticas a Donald Trump. Como a ciência deve mudar com essa nova configuração no mundo?
Stoddart  Provavelmente as mudanças nunca foram tão rápidas como agora. Parece-me que muitas das antigas e nem tão antigas democracias estão passando por problemas. E isso é uma oportunidade para outros países em termos de liderança. Existem pessoas muito talentosas e é apenas uma questão de organização para elas poderem mostrar toda a sua criatividade. Mas quem sabe o que pode acontecer? Eu estou preocupado com o meu antigo país, o Reino Unido, estou preocupado porque me engajei no movimento de trazer pessoas de outras partes do mundo e na criação desta Europa Continental. Quando eu deixei o Reino Unido e me mudei para o Canadá primeiro, meu grupo era de 65% não britânicos e era incrível. Todos se beneficiavam. O movimento do Brexit é de partir o coração porque não é ruim apenas para a ciência e para a tecnologia. É ruim para as finanças, é ruim para o comércio, é ruim para o chamado Serviço Nacional de Saúde no Reino Unido, que é muito dependente de pessoas vindas de outros países para mantê-lo. É ruim para os agricultores que dependem de pessoas para vir e pegar frutos no verão, ou seja o que for. Quando você olha para isso, é um desastre completo. Não dá para acreditar que políticos orquestraram isso. Quanto aos Estados Unidos, acredito que o fenômeno é outro e não estou tão preocupado. Acho que pode ser revertido. Acredito que seja algo provavelmente temporário. Bom, mas passando ou não, nunca mais voltaremos para onde estávamos.

Agência FAPESP  O senhor está se tornando um sucesso no Twitter. Por que decidiu entrar na rede social?
Stoddart  Sim. Estou gostando muito. É uma maneira muito boa de alcançar várias pessoas, principalmente as mais novas. E, quem sabe, uma forma de inspirá-las. Também sei que mudanças são as únicas formas de sobrevivermos. E vejo que com o Twitter posso escrever sobre estes anos da minha vida depois de ganhar o prêmio Nobel. Já pensei tantas vezes em escrever uma espécie de diário, mas nunca deu certo. Sempre acabava perdendo os textos. Foi sugestão do editor da Nature, um grande amigo meu, que mora a alguns quilômetros da casa da minha filha na Inglaterra. No Twitter, falo também de coisas cotidianas como as palestras que faço e assisto, ou de fatos mais corriqueiros como a primeira classe do avião cheia de muros entre as poltronas. É mais ou menos como a vida na Inglaterra cheia de grades e muros. E as pessoas gostaram, comentaram.

BOLSA DISPONÍVEL PARA PÓS-DOUTORADO JUNIOR – PDJ – CNPQ

 

Proponente do Projeto: Khosrow Ghavami (PUC_RIO);

Coordenador do Projeto: Omar Pandoli (PUC_RIO);

omarpandoli@puc-rio.br

Título do projeto: Propriedades mecânicas e morfológicas do bambu impregnado com diferentes materiais nanoestruturados por Microscopia de Forca Atômica;

PALAVRAS CHAVE : nanotecnologias; Bambu;  nanoidentador;  nanopartículas;

AFM;  propriedades nanomecânicas, biomateriaias, compósitos.

Instituição: PUC-Rio – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro;

Valor da recurso: 55.000 R$ por 12 meses , com renovação de mais dois anos.

Taxa de Bancada: R$ 400,00 x 12 = R$ 4.800,00

Mensalidade :    R$ 4.100,00x 12 = R$ 49.200,00

Auxílio Deslocamento:  R$ 1.000,00

Requisitos:

Doutorado em programa de Pós-graduação com conceito CAPES 5, 6 ou 7.

O Candidato não pode ter  vínculo empregatício.

Candidato deve possuir o título de doutor há menos de 7 anos;

Experiência certificada e publicações na utilização de AFM

Enviar CV Lattes do Candidato atualizado para omarpandoli@puc-rio.br

Químico holandês desenvolve técnicas para entender a comunicação das bactérias

13 de julho de 2017

Elton Alisson | Agência FAPESP – O químico holandês Pieter Dorrestein, professor da University of California em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos, tem se dedicado a analisar colônias microbianas de plantas, da água do mar, de tribos remotas, de pulmões e de outros órgãos humanos.

O objetivo do pesquisador é “ouvir” como as colônias de bactérias “conversam quimicamente” para indicar umas para outras os melhores e os piores lugares para colonizar um determinado ambiente, por exemplo.

A fim de atingir esse objetivo, Dorrestein busca desvendar o mecanismo de comunicação desses microrganismos: a produção de moléculas ou metabólitos que enviam sinais para um grupo de bactérias obter mais nutrientes ou inativar mecanismos de defesa de um hospedeiro, por exemplo.

Para traduzir esse “idioma químico”, o pesquisador tem desenvolvido novos métodos baseados em espectrometria de massa – uma técnica analítica que permite detectar e identificar moléculas de interesse por meio da medição de sua massa e caracterização de sua estrutura química.

Denominado pela revista Nature como “cartógrafo químico”, por sua tentativa de traçar o mundo microbiano, o pesquisador deu uma palestra na segunda-feira (10/07) no 46º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC 2017).

Na ocasião, Dorrestein explicou o projeto de seu grupo de digitalizar a química dos microbiomas por meio de uma nova abordagem baseada em espectrometria de massa, convertendo-a para o formato de dados, o que permitiria armazenar, compartilhar e analisar essas informações por meio de ferramentas computacionais.

“Está ficando cada vez mais claro que os micróbios têm papéis críticos na saúde humana, vegetal ou oceânica. Mas as funções que desempenham e sua relação com as substâncias químicas ainda são, em geral, pouco compreendidas”, disse Dorrestein à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, a maioria dos microrganismos forma comunidades e interage com micróbios vizinhos, com seus hospedeiros e com os ambientes onde habitam por meio da secreção de moléculas de sinalização e também por meio de outras interações metabólicas.

Essas comunidades microbianas – como os microbiomas encontrados no intestino humano, na placa dentária, na pele e na rizosfera (a região onde o solo e as raízes das plantas entram em contato), por exemplo – contêm de centenas a alguns milhares de organismos diferentes.

Se cada um desses micróbios produzir 10 moléculas – o que é uma estimativa razoável, com base nas sequências de genoma microbianos disponíveis hoje –, podem existir milhares de moléculas de bactérias capazes de influenciar o comportamento de populações celulares vizinhas sendo secretadas por esses microrganismos no ambiente, explicou Dorrestein.

“Estou interessado em quais moléculas os microrganismos produzem ou alteram e qual o efeito disso na nossa saúde, por exemplo”, explicou.

Em razão da importância fundamental da troca metabólica dos micróbios, o Centro de Inovação Colaborativo em Espectrometria de Massa que ele dirige tem desenvolvido ferramentas analíticas para poder capturar interações metabólicas entre duas ou mais populações celulares – inclusive em hospedeiros inteiros – e começar a desvendar a química dos sistemas microbianos.

Esse esforço pode possibilitar não só identificar micróbios desconhecidos, mas também moléculas produzidas por eles que podem ter interesse farmacológico, indicou Dorrestein.

“A espectrometria de massa é um dos caminhos para analisarmos as moléculas produzidas por microrganismos, mas têm surgido outros métodos para essa finalidade também”, afirmou.

Avanço da pesquisa

Os pesquisadores do centro de pesquisa sediado na UCSD têm desenvolvido métodos, como o de anotação molecular, o de mineração do genoma com base em espectrometria de massa em grande escala e o de cartografia tridimensional para estudar as trocas metabólicas e detectar e caracterizar estruturalmente os metabólitos produzidos em interações microbianas.

O desenvolvimento dessas ferramentas de análise de microbiomas tem sido possível em razão da diminuição do custo do sequenciamento de DNA, avaliou o pesquisador.

“Em função da diminuição do custo do sequenciamento do DNA, podemos analisar hoje uma grande diversidade de microbiomas”, afirmou.

A pesquisa sobre microbiomas ganhou maior impulso com o lançamento em maio do ano passado da Iniciativa Nacional de Microbioma (NMI, na sigla em inglês), pelo governo dos EUA.

O Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, em colaboração com agências federais e o setor privado norte-americano, se comprometeu a investir US$ 521 milhões nos próximos anos para promover o estudo integrado de microbiomas em diferentes ecossistemas.

Um dos objetivos do projeto é mapear a diversidade de microrganismos e as moléculas produzidas por eles.

“Os microbiomas têm se tornado foco de pesquisa em diversas áreas, como na Medicina e na Química, por exemplo, com pesquisadores de diferentes formações falando uma única língua, que é bactéria”, avaliou Dorrestein.

Estudo explica por que pacientes com herpes-zóster sentem dor

07 de julho de 2017

Karina Toledo | Agência FAPESP – A catapora é uma doença típica da infância que, na maioria dos casos, evolui de forma benigna e os sintomas desaparecem em até 10 dias. Seu agente causador, contudo, o vírus Varicella zoster, permanece para sempre no organismo. Em alguns casos, pode voltar a incomodar depois de anos, provocando uma nova doença conhecida como herpes-zóster.

Um dos primeiros e mais incômodos sintomas de herpes zoster é uma dor intensa e incessante conhecida como neuralgia, que afeta principalmente os nervos da região torácica, mas também da região cervical, do nervo trigêmeo (na face) e da lombar. A sensação dolorosa pode vir acompanhada de parestesia (sensações de frio, calor, formigamento ou pressão sem estímulo causador), ardor e coceira. O quadro clínico costuma evoluir para lesões localizadas da pele.

Os mecanismos imunológicos desencadeados pelo vírus quando ele é reativado, que alteram o funcionamento dos neurônios sensitivos e resultam em neuralgia herpética, foram descritos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em um artigo publicado no The Journal of Neuroscience. A descoberta, segundo os autores, possibilita a busca de novas terapias que, além de combater a dor aguda, podem impedir que ela se torne crônica – condição conhecida como neuralgia pós-herpética.

A investigação foi conduzida no âmbito do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID http://cepid.fapesp.br/centro/20/), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.

“O tratamento para a neuralgia herpética, atualmente, é feito com medicamentos anti-inflamatórios do tipo corticoide. Embora sejam eficazes para eliminar os sintomas, podem prejudicar o controle da infecção, pois são imunossupressores. Resultados de nosso trabalho sugerem que terapias capazes de bloquear a ação de um mediador inflamatório conhecido como TNF [fator de necrose tumoral] poderia agir de forma mais seletiva e eficaz”, afirmou Thiago Cunha, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, e coautor do artigo.

Segundo o pesquisador, a maior parte da população mundial é portadora do vírus Varicella zoster, que costuma se alojar nos gânglios nervosos, onde estão localizados os corpos dos neurônios sensitivos que se projetam para as diferentes partes do corpo. Por motivos ainda não totalmente compreendidos – mas que certamente envolvem uma queda na imunidade – ocorre em algumas pessoas a reativação do vírus, causando inflamação no gânglio. O problema é mais comum em pessoas com mais de 60 anos.

“Até que as lesões na pele apareçam, o que costuma demorar entre cinco e 10 dias até que o vírus seja transportado ao longo do nervo, o único sintoma do herpes-zóster é a neuralgia. Isso torna o diagnóstico difícil”, comentou Cunha.

Novo modelo

Uma das contribuições do trabalho desenvolvido no CRID foi a validação de um modelo animal para o estudo dos mecanismos moleculares envolvidos no surgimento da neuralgia herpética. Como o Varicella zoster (HZ) não infecta camundongos, o grupo usou nos experimentos um microrganismo aparentado, o vírus da herpes simples tipo 1 (HSV-1), que em seres humanos pode causar feridas labiais e genitais.

“No camundongo, o HSV-1 induz dor e lesões na pele, um quadro muito similar ao herpes-zóster. Usamos esse modelo para caracterizar os mecanismos imunológicos desencadeados pelo vírus no gânglio da raiz dorsal, que fica próximo à medula espinal”, contou Cunha.

Após uma série de experimentos in vitro e in vivo, que envolveram animais “selvagens” (sem modificação genética) e também roedores geneticamente modificados para não expressar determinadas moléculas que participam da resposta imune ou então para expressar células fluorescentes possíveis de serem rastreadas, o grupo formulou uma teoria sobre o que acontece nos gânglios nervosos quando o vírus HZ é reativado.

De acordo com os pesquisadores, células do sistema imune, particularmente macrófagos e neutrófilos, são atraídas para o tecido nervoso e começam a liberar mediadores inflamatórios (citocinas) na tentativa de eliminar o patógeno.

Uma dessas citocinas inflamatórias – conhecida como TNF – se liga a uma proteína (um receptor próprio para TNF) existente na membrana das chamadas células-satélites, que funcionam como auxiliares do neurônio e têm a função de controlar os níveis de potássio no entorno da célula nervosa.

Quando o receptor de TNF é ativado pela citocina, a expressão de uma outra proteína é reduzida: a Kir4.1, que atua como um canal para a passagem de íons de potássio para dentro da célula-satélite.

“Quando o neurônio se despolariza [liberando um impulso nervoso], o potássio sai do meio intracelular para o extracelular. Para manter o equilíbrio químico no local, o excesso de potássio deve entrar na célula-satélite e isso ocorre pelo canal Kir4.1”, explicou Cunha.

Resultados dos experimentos feitos na USP, porém, sugerem que, com a queda na expressão desse canal iônico Kir4.1 induzida pelo TNF, o potássio começa a se acumular em torno do neurônio e isso faz com que a célula nervosa fique com a excitabilidade maior do que deveria.

“O neurônio fica mais sensível a qualquer estímulo e pode até mesmo ocorrer dor espontânea. Não há lesão, portanto, mas uma mudança nas características funcionais da célula. Em nosso modelo nós avaliamos a resposta de camundongos a estímulos mecânicos”, contou Cunha.

A análise comportamental dos animais foi feita por uma técnica conhecida como filamentos de von Frey – um conjunto de fios de náilon, com espessuras variadas, que são pressionados sobre a pata do animal. Cada filamento representa uma força em gramas e indica o grau de pressão que o animal consegue suportar antes de demonstrar desconforto.

“Enquanto um camundongo sadio [grupo controle] só começa a esboçar reação com uma pressão de 1 grama, o animal com neuralgia já sinaliza desconforto com pressão entre 0,04g e 0,08g. Isso mostra hipersensibilidade. Porém, quando repetimos o experimento e tratamos os roedores com anticorpos capazes de neutralizar o TNF, eles voltam a responder como o controle”, contou o pesquisador.

Em um outro experimento, roedores modificados para não expressar o receptor de TNF apresentaram menor incidência de dor quando infectado pelo vírus em comparação com os animais selvagens.

A investigação foi conduzida durante o doutorado de Jaqueline Raymondi Silva, com apoio de Bolsa da FAPESP e sob a orientação dos professores Thiago Mattar Cunha e Fernando de Queiroz Cunha da FMRP-USP.

Nova abordagem

De acordo com Thiago Cunha, dados da literatura científica indicam que pacientes que fazem uso de medicamentos anti-TNF para o tratamento de doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, apresentam uma menor probabilidade de desenvolver a neuralgia pós-herpética.

“Esse foi um dos fatores que nos levou a desconfiar que o TNF teria um papel central no surgimento da dor”, disse.

Além de testar essa classe de drogas no tratamento de herpes-zóster, o grupo também vê a possibilidade de investigar moléculas capazes de modular o canal iônico Kir4.1.

“Já há no mercado uma droga capaz de fazer essa modulação de forma indireta, atuando sobre receptores neuronais do tipo GABA-B. Chama-se baclofen e é usada principalmente como relaxante muscular. É uma alternativa a ser testada”, avaliou Cunha.

O artigo Neuro-immune-glia interactions in the sensory ganglia account for the development of acute herpetic neuralgia pode ser lido em: http://www.jneurosci.org/content/early/2017/06/02/JNEUROSCI.2233-16.2017/tab-article-info.

São Paulo sediará Congresso Mundial de Química

05 de julho de 2017

Agência FAPESP – O Brasil será sede do 46º Congresso Mundial de Química (IUPAC – 2017) e da 49ª Assembleia Geral da IUPAC entre os dias 9 e 14 de julho. Participarão do encontro delegados oficiais de 43 países, num total de cerca de 3 mil participantes, entre eles três Prêmios Nobel. Realizados pela primeira vez no continente sul-americano, os dois eventos ocorrerão no WTC Sheraton, em São Paulo. Simultaneamente estará acontecendo o congresso da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), que completa 40 anos.

“Pela primeira vez na América do Sul poderemos aproximar todo um continente de químicos da comunidade global da IUPAC [sigla em inglês da União Internacional de Química Pura e Aplicada]”, afirmou Adriano D. Andricopulo, presidente do Comitê Organizador da IUPAC 2017 e ex-presidente da SBQ.

O Congresso Mundial, que terá como tema “Sustentabilidade e Diversidade através da Química”, está organizado em sessões científicas, palestras plenárias, sessões paralelas, apresentações de pôsteres e oficinas de jovens cientistas, em torno de 12 temas principais: Química Analítica e Alimentos, Química, Química para Inovação da Indústria, Síntese Química, Energia, Ciências da Água e do Ambiente, Química Verde e Biotecnologia, Química Inorgânica e Estrutural, Macromoléculas e Materiais, Química Medicinal e Biologia Química, Nanociência e Tecnologia, Produtos Naturais e Biodiversidade e Química Física, Biofísica e Computacional.

Participarão do encontro Sir J. Fraser Sotddart, da Northwestern University, nos Estados Unidos, Prêmio Nobel em 2016; Ada E. Yonath, do Weizmann Institute of Science de Israel, Prêmio Nobel em 2009; Robert Huber, do Max Planck Institute of Biochemistry, na Alemanha, Prêmio Nobel em 1988; Clare Grey, da University of Cambridge, no Reino Unido; David MacMillan, da Princeton University, nos Estados Unidos; Mei-Hung Chiu, da National Taiwan Normal University, de Tawain, entre outros.

Está programado um painel sobre o “Futuro das Ciências Químicas”, que reunirá representantes de cinco sociedades (China, Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha e Brasil), além de representantes da Associação Brasileira da Indústria Química, o presidente e o secretário-geral da IUPAC.

Para mais informações e inscrições acesse http://www.iupac2017.org/index.php

Laboratório da Poli-USP ingressa em rede internacional em parceria com a Finlândia

04 de julho de 2017

Agência FAPESP – A Design Factory Global Network, rede internacional de ensino multidisciplinar, recebeu um novo membro: o InovaLab@POLI, laboratório de inovação e empreendedorismo voltado aos alunos de graduação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

O InovaLab é o primeiro laboratório de uma universidade brasileira a fazer parte da rede, que já reúne universidades em Portugal, Suíça, Estados Unidos, Austrália, Chile e Colômbia.

A Design Factory Global Network surgiu na Finlândia, como projeto da Universidade de Aalto para criar experiências práticas de aprendizagem. A universidade finlandesa decidiu apostar no trabalho colaborativo entre empresas e grupos de pesquisa e, com bons resultados nessa empreitada, ela expandiu o seu modelo e deu início à rede.

A cerimônia que oficializou o ingresso do laboratório da Poli na rede ocorreu no dia 20 de junho de 2017, nas dependências da Escola, com as presenças do reitor da USP, Marco Antonio Zago; da vice-diretora da Poli, Liedi Légi Bariani Bernucci; e do embaixador da Finlândia no Brasil, Markku Virri, entre outras autoridades.

Desde 2016, a Poli já vem realizando atividades de preparação para o ingresso na rede internacional. Neste semestre, 10 alunos da USP e oito alunos de universidades estrangeiras participaram de duas disciplinas optativas para o desenvolvimento de trabalhos internacionais. Nessas disciplinas, denominadas Applied Design Project I e II, os projetos são realizados em inglês.

Além de estreitar os laços com o setor produtivo e estimular a interdisciplinaridade, a nova parceria irá permitir que os alunos brasileiros possam desenvolver atividades com a participação de universitários e pesquisadores de diversos países.

“O InovaLab@POLI cresceu desde que foi criado e está dando um passo adiante ao se internacionalizar ingressando em uma rede com outras universidades que atuam da mesma forma, estimulando a inovação e o empreendedorismo para alunos de graduação”, disse Eduardo Zancul, professor da Poli e vice-coordenador do laboratório.

Mais informações: http://jornal.usp.br/institucional/inovalab-da-poli-ingressa-rede-internacional-de-ensino-de-inovacao.

Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais tem nova chamada

04 de julho de 2017

Agência FAPESP – A FAPESP anuncia a abertura de uma nova chamada de propostas do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

A 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Paris em 2015, resultou em um acordo sem precedentes a partir do consenso científico sobre a Física da Mudança Global.

Na COP-21, os países participantes também apresentaram ações de mitigação por meio de intenções de Contribuições Determinadas em Âmbito Nacional (iNDCs, na sigla em inglês). Os países participantes estabeleceram suas iNDCs no contexto das suas prioridades nacionais, conjunturas e competências, considerados os objetivos do Acordo de Paris.

Em sua iNDC, o Brasil se compromete a reduzir, até 2025, as emissões de gases de efeito estufa a 37% abaixo dos níveis de 2005, com uma intenção posterior de reduzir, até 2030, as emissões de gases de efeito estufa a 43% abaixo dos níveis de 2005.

Para atingir os ambiciosos objetivos da sua iNDC, o Brasil precisa adotar políticas públicas bem fundamentadas com uma base científica sólida. Para isso, precisará preencher as lacunas no conhecimento científico em muitas áreas direta ou indiretamente relacionadas às ações nacionais de mitigação.

A FAPESP pretende apoiar estudos que forneçam uma base para o estabelecimento de políticas sólidas em mudanças climáticas. Por conta disso, o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais lança uma chamada para projetos de pesquisa direcionada a temas relacionados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O objetivo da chamada de propostas é financiar pesquisa básica e aplicada de alto nível, desenvolvida por cientistas do Estado de São Paulo, para obter sólida base científica em ações e políticas a serem desenvolvidas pelo governo brasileiro, pelo setor privado e pela sociedade em geral, a fim de se adaptar aos efeitos das mudanças climáticas, contribuindo com a redução ou sequestro de gases de efeito estufa no Brasil.

As questões científicas nas áreas de mitigação e adaptação não estão restritas ao escopo da iNDC brasileira e envolvem áreas de conhecimento diversas, como Saúde Pública, Planejamento Urbano, Segurança Hídrica e Alimentação, Transporte e Desigualdades Sociais.

Com isso, a FAPESP pretende contribuir para as necessárias transições do Brasil para uma economia de baixo carbono e espera induzir propostas de grupos multidisciplinares, incluindo especialistas em Ciências Sociais, Humanidades, Engenharias, Agricultura e Zootecnia, Arquitetura e Urbanismo e Ciências da Saúde.

Recomenda-se que as propostas destaquem os desafios interdisciplinares do projeto de pesquisa e as principais competências que foram reunidas na equipe para enfrentá-los.

Pesquisadores com vínculo empregatício em instituições do Estado de São Paulo podem submeter propostas nas linhas Auxílio Regular, Projeto Temático ou Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes. Pesquisadores de qualquer nacionalidade trabalhando em outros Estados ou países poderão submeter propostas para os programas Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes ou São Paulo Excellence Chair Awards (SPEC).

O apoio financeiro total da FAPESP às propostas selecionadas na chamada tem limite de R$ 10 milhões.

As propostas serão recebidas até 25 de setembro de 2017.

A chamada está publicada em: www.fapesp.br/11068.

Pós-doutorado em Gás Natural com Bolsa da FAPESP

03 de julho de 2017

Agência FAPESP – O Projeto Temático “Corredor Azul Paulista e Estabelecimento do Serviço de Legislação Brasileiro e Paulista de Gás Natural”, da Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, dispõe de uma vaga para pós-doutoramento. Prazo de inscrição até o dia 10 de julho de 2017.

Sediado na Universidade de São Paulo (USP), o RCGI é financiado pela FAPESP e da BG/Shell.

Este projeto de pesquisa será desenvolvido em colaboração com pesquisadores dos Projetos 21 e 25, e eventualmente dos projetos 26 e 28, do RCGI. O supervisor será o professor Julio Romano Meneghini , da Escola Politécnica da USP.

O projeto é indicado para pessoas graduadas ou com experiência em Gestão, Direito Público, Direito, Contabilidade, Economia, Relações Internacionais ou Comércio Exterior, incluindo experiência em Planejamento Energético e conhecimento de políticas públicas.

Os candidatos devem ter uma avaliação geral no conjunto da graduação, mestrado e doutorado acima de 7. Casos especiais acima de 6,5 também serão considerados.

Inscrição pelo site do RCGI (escolher a opção “Ref: 17PDR004 – Paulista Blue Corridor and Setting up of the Brazilian and Paulista Natural Gas Law Service”).

Mais informações sobre a vaga estão disponíveis em www.fapesp.br/oportunidades/1582.

A vaga está abertas a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista de PD resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação. Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em fapesp.br/oportunidades

Bactérias do intestino do Aedes podem ser armas contra dengue e outras doenças

30 de junho de 2017

Karina Toledo | Agência FAPESP – Assim como os humanos, os mosquitos abrigam em seus intestinos uma enorme variedade de bactérias. Estudos recentes sugerem que modular o perfil desse microbioma pode ser uma estratégia para tornar os insetos mais resistentes à infecção por patógenos. Trata-se, portanto, de uma forma alternativa de controlar a disseminação de doenças como dengue, Zika, febre amarela, chikungunya e malária, entre outras.

O tema foi abordado por George Dimopoulos, professor da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health (Estados Unidos), durante a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Arbovirologia. Apoiado pela FAPESP, o evento foi realizado entre os dias 29 de maio e 9 de junho em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

“Até agora, as doenças transmitidas por vetores, especialmente a dengue, têm sido combatidas basicamente com a aplicação de inseticidas e modificações ambientais, como eliminação de criadouros do mosquito transmissor. Embora esses métodos tenham alcançado algum sucesso, há uma dificuldade logística de mantê-los no longo prazo e, por isso, os retrocessos são frequentes. Existe a necessidade de desenvolver novas estratégias de controle”, disse Dimopoulos à Agência FAPESP.

Em seu laboratório, o pesquisador usou uma espécie de néctar artificial para alimentar mosquitos das espécies Aedes aegypti(transmissor dos vírus da dengue, Zika, febre amarela e chikungunya) e Anopheles gambiae (transmissor do parasita da malária) e, assim, colonizar seus intestinos com bactérias do gênero Chromobacterium.

O experimento mostrou que o microrganismo reduziu drasticamente a sobrevivência tanto de larvas quanto de mosquitos adultos. Além disso, os espécimes sobreviventes tornaram-se menos suscetíveis à infecção pelo vírus da dengue, no caso do Aedes, e pelo Plasmodium falciparum, no caso do Anopheles.

“A ideia seria desenvolver um biopesticida, feito com essas bactérias naturalmente encontradas no solo e inofensivas à saúde humana. Poderíamos borrifar no ambiente, como um inseticida, ou explorar a preferência dos insetos por açúcar e criar um néctar artificial para ser colocado em dispositivos que atraem mosquitos. Também seria possível usar essa mesma bactéria para criar pastilhas, que podem ser colocadas nos criadouros e atingir as larvas”, explicou Dimopoulos.

Como comentou o cientista em sua apresentação, também estão sendo testadas no controle da dengue – em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil – outras abordagens que exploram bactérias do gênero Wolbachia.

“Estudos mostraram que determinadas cepas desse microrganismo, quando presentes no microbioma do Aedes, tornam o inseto resistente à infecção tanto pelo vírus da dengue quanto pelo Zika. E como essa bactéria é transmitida à prole pela mãe, pode ser propagada em toda uma população de mosquitos automaticamente”, contou o pesquisador.

De acordo com Dimopoulos, em teoria, bastaria liberar um pequeno número de mosquitos infectados com a cepa-chave de Wolbachia. Eles cruzariam com mosquitos encontrados na natureza e transmitiriam os microrganismos à prole, que também transmitiria à geração seguinte e, gradualmente, uma grande proporção de insetos se tornaria resistente aos patógenos.

“Uma coisa é certa: precisamos de uma variedade de estratégias para controlar doenças transmitidas por vetores. Medicamentos, vacinas, controle do mosquito e também alguma dessas novas estratégias de bloquear a infecção nos insetos. É como lutar em uma guerra. Não se ganha uma guerra com uma única arma”, comentou Dimopoulos.

 

Influência geográfica

Ainda durante a programação da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Arbovirologia, o pesquisador Jayme Augusto de Souza-Neto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, apresentou os resultados mais recentes de sua linha de pesquisa, que compara o microbioma e o perfil genético de três diferentes populações de mosquitos Aedes aegypti.

Os espécimes foram coletados nas cidades de Botucatu (SP), Neópolis (SE) e Campo Grande (MS). Após alimentar os mosquitos em laboratório com sangue contaminado com o sorotipo 4 do vírus da dengue, o grupo observou que apenas 30% dos mosquitos coletados no interior paulista se contaminavam, enquanto o índice ficava entre 70% e 80% nas outras duas populações, originárias de locais onde a incidência de dengue é maior.

Por meio de técnicas de sequenciamento de genes em larga escala, o grupo identificou as espécies de bactérias que colonizavam o intestino dos mosquitos e observou que o microbioma presente nos grupos mais e menos suscetíveis era completamente diferente.

Os dados mostraram ainda que, enquanto em Botucatu a infecção alterou muito pouco a expressão gênica do mosquito, nas outras duas populações diversos genes foram ativados ou suprimidos em resposta ao vírus.

“Nós pensamos, inicialmente, que a diferença observada no microbioma poderia ter sido causada pela resposta imunológica desencadeada pelo vírus. Mas, quando reunimos várias populações em uma análise mais complexa, percebemos que os resultados se agrupam não pela suscetibilidade à infecção e sim pelo local de coleta dos mosquitos. Isso sugere que o microbioma seja definido pela geografia”, contou Souza-Neto.

A hipótese que o grupo da Unesp tenta comprovar é a de que o microbioma do Aedes é definido pela genética do mosquito. Esses dois fatores em conjunto – genoma e microbioma – determinariam se o inseto vai ou não ser infectado pelo vírus da dengue. A pesquisa conta com apoio da FAPESP e, segundo Souza-Neto, os resultados poderão abrir caminho para novas estratégias de controle da doença (Leia mais em: agencia.fapesp.br/21036/).

Pesquisadores desenvolvem novo tipo de material na forma de nanotubos

28 de junho de 2017

Elton Alisson | Agência FAPESP – Nos últimos anos, uma categoria de materiais começou a despertar o interesse de pesquisadores por sua flexibilidade e diversidade de aplicações como catalisadores, sensores e transportadores de fármacos. São os hidróxidos duplos lamelares (HDL) – materiais formados pelo empilhamento de camadas metálicas com cátions divalentes e trivalentes (íons com carga positiva, capazes de doar dois e três elétrons, respectivamente, quando se ligam a outros átomos), alternadas com camadas de íons com carga negativa (ânions).

Um grupo de pesquisadores dos Institutos de Física e de Química da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas da Universidade de Leuven (KU Leuven), da Bélgica, estruturou esse material na forma de nanotubos – folhas do material enroladas de modo a formar uma peça cilíndrica como um canudo de refrigerante com diâmetro equivalente à bilionésima parte do metro.

Com isso, conseguiram aumentar a área superficial do material ao dotá-lo de pequenos poros cilíndricos e ocos. Esses poros são capazes de abrigar diversos elementos e estruturas químicas e, por conseguinte, podem ser utilizados para conferir propriedades extras ao material.

Resultado de um projeto apoiado pela FAPESP na modalidade Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, o estudo foi publicado em uma edição especial da revista Chemical Communications, da Royal Society of Chemistry.

A publicação, intitulada “Emerging investigators issue 2017”, apresenta pesquisas realizadas por pesquisadores internacionais, em estágios iniciais de suas carreiras e que têm feito contribuições significativas em seus respectivos campos de estudos. Entre eles está Danilo Mustafa, professor do Departamento de Física dos Materiais e Mecânica do IF-USP, responsável pela pesquisa e orientador do primeiro autor do artigo, o estudante de doutorado Alysson Ferreira de Morais.

“O convite para divulgar os resultados da minha pesquisa nessa publicação representa o reconhecimento internacional do trabalho que venho desenvolvendo durante minha carreira científica e, especialmente, desse estudo que comecei a realizar em 2013, durante meu pós-doutorado, quando fiz um estágio de pesquisa na KU Leuven por meio de uma Bolsa concedida pela FAPESP”, disse Mustafa à Agência FAPESP.

Materiais luminescentes

Durante seu pós-doutorado, o pesquisador, em parceria com os colegas da Bélgica, desenvolveu estruturas de HDL em escala nanométrica dopadas com íons terras-raras – um grupo de 17 minerais que apresentam propriedades físico-químicas com diversas aplicações, como em catalisadores e materiais luminescentes. O objetivo era obter um novo material luminescente capaz de captar energia solar com maior eficiência para utilização em sistemas fotoquímicos e fotovoltaicos.

Para desenvolver esses materiais, os cátions divalentes e trivalentes das camadas metálicas dos HDLs são parcialmente substituídos por íons terras raras, enquanto um fotossensibilizador é adsorvido (retido) entre as camadas. O fotossensibilizador é capaz de absorver a energia incidente sobre o material e transferi-la de maneira eficiente para os íons terras-raras.

Com base nos resultados bem-sucedidos do projeto, eles decidiram desenvolver o HDL em uma forma diferente da tradicional – flocos micrométricos – com o objetivo de aumentar sua área superficial.

“Apesar de serem versáteis e possibilitar acomodar moléculas intercaladas entre suas camadas metálicas, os HDLs têm limitação de espaço. Isso inviabiliza que carreguem moléculas ou complexos muito grandes, como quantum dots (pontos quânticos) [nanopartículas ou nanocristais de material semicondutor com diversas propriedades e inúmeras aplicações, como em tecnologias de emissão de luz]”, explicou Mustafa.

A fim de superar essa limitação de espaço, eles pensaram em estruturar o material na forma de nanotubos com a cavidade principal oca e, dessa forma, permitir acomodar estruturas maiores no interior deles.

Por meio de uma nova estratégia, em que utilizaram um polímero como molde para o HDL assumir a forma de nanotubos e que é removido ao final do processo, eles conseguiram alcançar esse objetivo e obter nanotubos cilíndricos de uma mistura de alumínio, zinco e európio.

“Foi a primeira vez que se estruturou HDL na forma de nanotubos autossustentados”, afirmou Mustafa.

A fim de explorar e melhorar as propriedades luminescentes (de emissão de luz) do material, os pesquisadores colocaram os nanotubos em contato com quantum dots de telureto de cádmio (CdTe) – um composto químico formado por telúrio e cádmio que, na forma cristalina, apresenta propriedades semicondutoras e fotovoltaicas.

Os resultados das análises indicaram que os nanotubos interagiram com os pontos quânticos de telureto de cádmio, produzindo uma nova classe de materiais luminescentes.

“Essa morfologia única dos nanotubos de HDL e a possibilidade de interagir com diferentes compostos aumentam o leque de aplicações possíveis para os HDLs, oferecendo oportunidades nas áreas de catálise, dispositivos e materiais biológicos ativos, como transportadores de fármacos”, avaliou Mustafa.

Os pesquisadores pretendem esclarecer, agora, os mecanismos de formação do material com esse tipo de estrutura e explorar suas diversas aplicações.

O artigo “Hierachical self-supported ZnAlEu LHD nanotubes hosting luminescent CdTe quantum dots”), (doi: 10.1039/C7CC02097J), de Mustafa e outros, pode ser lido por assinantes da revista Chemical Communications em pubs.rsc.org/en/content/articlelanding/2017/cc/c7cc02097j#!divAbstract.

Abertas as inscrições para o Prêmio IFT-Unesp/ICTP-SAIFR para Jovens Físicos

21 de junho de 2017

Agência FAPESP – O Instituto de Física Teórica (IFT) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR), apoiado pela FAPESP, lançaram a edição de 2017 do Prêmio IFT-Unesp/ICTP-SAIFR para Jovens Físicos que distinguirá os melhores alunos do último ano de graduação em Física. As inscrições encerram em 7 de julho.

Os candidatos serão selecionados por meio de prova escrita ministrada pelo IFT e pelo ICTP-SAIFR. Os prêmios serão destinados aos cinco primeiros colocados. Os prêmios são de R$ 1 mil (1º lugar), R$ 800 (2º), R$ 600 (3º), R$ 400 (4º) e R$ 200 (5º lugar).

A prova terá duração de três horas e versará sobre as seguintes matérias do curso de graduação em Física: Mecânica Clássica, Mecânica Quântica, Mecânica Estatística/Termodinâmica, Eletromagnetismo, Relatividade Especial e Física-Matemática.

A prova será aplicada em São Paulo no dia 15 de julho de 2017 (sábado), às 15h, no prédio do IFT ao lado do metrô Barra Funda. Para participantes de outras cidades, existe a possibilidade de reembolso parcial de passagens de ônibus.

O regulamento do prêmio e inscrições estão disponíveis no endereço www.ictp-saifr.org/premio2017.

PD e IC em Processos Biotecnológicos com Bolsa da FAPESP

23 de junho de 2017

Agência FAPESP – O Research Centre for Gas Innovation (RCGI) da Universidade de São Paulo (USP), apoiado pela FAPESP e pela Shell no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), oferece uma oportunidade de pós-doutorado e uma em iniciação científica em processos biotecnológicos com bolsa da Fundação. Interessados podem se candidatar até 2 de julho.

As duas bolsas estão vinculadas a projeto que visa abordar desafios científicos e tecnológicos para o avanço na mitigação do gás natural. Para tanto, um consórcio microbiano envolvendo algas e bactérias será utilizado. Juntos, estes microrganismos poderiam rapidamente metabolizar altas concentrações de CO2 e CH4, transformando-os em bioprodutos valiosos.

Os candidatos à bolsa de Pós-Doutorado devem ter concluído o doutorado no máximo há um ano e ter pelo menos seis meses de experiência no exterior. Os interessados devem, ainda, ter experiência em microbiologia e em diferentes técnicas como desenvolvimento de bioprocessos, cultivo de microrganismos em coluna, espectrometria de massa, identificação de microrganismos, metagenômica, proteômica e cromatografia.

Para mais informações sobre a posição e acesso à inscrição acesse o site do RCGI: rcgi.poli.usp.br/opportunities ou goo.gl/O6zvBK (Referência da posição: 17PDR006).

A oportunidade está disponível no endereço www.fapesp.br/oportunidades/1583.

O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista de PD resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação.

Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

A bolsa de iniciação científica está vinculada a projeto que visa o estabelecimento de um consórcio microbiano envolvendo algas e bactérias capazes de metabolizar altas concentrações de CO2 e CH4 e transformá-los em bioprodutos de interesse biotecnológico.

Os candidatos à bolsa de Iniciação Científica devem ter experiência laboratorial em isolamento, identificação e cultivo de microrganismos. Espera-se que também tenham experiência em microbiologia e cromatografia. A bolsa é adequada para estudante de graduação em Engenharia Ambiental, matriculado no 5º, 6º, 7º ou 8º semestre do curso, e requer uma nota global acima de 7,0.

Mais informações sobre a posição e acesso à inscrição no site do RCGI ou em goo.gl/O6zvBK (Referência da posição: 17SIR005).

A oportunidade está publicada em www.fapesp.br/oportunidades/1584.

Informações sobre bolsas em Iniciação Científica estão disponíveis em www.fapesp.br/bolsas/ic.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em fapesp.br/oportunidades

IQ-USP abre concurso para contratação de Professor Doutor

08 de junho de 2017

Agência FAPESP – O Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) abriu inscrições para o concurso para o provimento de um cargo de Professor Doutor (MS-3) na área de Química, com ênfase em Química Analítica, no Departamento de Química Fundamental. O prazo de inscrição encerra em 30 de agosto.

A contratação será em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), com salário de R$ 10.670,76 mensais. As inscrições devem ser feitas on-line, no endereço https://uspdigital.usp.br/gr/admissao. O edital do concurso está acessível no mesmo endereço eletrônico.

Informações adicionais podem ser obtidas com o Chefe do Departamento de Química Fundamental do IQ-USP no e-mail mbertott@iq.usp.br.

FEA da USP abre concurso para professor Doutor

06 de junho de 2017

Agência FAPESP – A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo abriu inscrições para concurso público de títulos e provas para provimento de um cargo de professor Doutor (MS-3) do Departamento de Economia, na área de conhecimento “Introdução à Economia”.

A contratação será em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), com salário de R$ 10.670,76 mensais.

Os pedidos de inscrição devem ser feitos exclusivamente pelo link https://uspdigital.usp.br/gr/admissao até as 17 horas do dia 28 de julho. Os candidatos devem apresentar requerimento ao Diretor da FEA, contendo dados pessoais e área de conhecimento do Departamento a que concorre, anexando a documentação solicitada no edital.

Pós-Doutorado em Imunofarmacologia com Bolsa da FAPESP

02 de junho de 2017

Agência FAPESP – O Laboratório de Imunofarmacologia do Departamento de Ciências Básicas da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araçatuba oferece uma oportunidade de Pós-Doutorado em Imunofarmacologia com bolsa da FAPESP. O prazo de inscrição encerra em 5 de junho.

O bolsista desenvolverá pesquisa vinculada ao Projeto Temático “Papel do Sistema Renina-angiotensina em diferentes modelos inflamatórios orais“.

O projeto visa estudar o papel dos mastócitos e do sistema renina-angiotensina no metabolismo ósseo e o processo inflamatório induzido por doença periodontal experimental em ratos espontaneamente hipertensos (SHR) e em camundongos diabéticos.

Os candidatos devem possuir titulação de doutorado, com experiência em imunologia, biologia óssea, biologia celular e molecular, inflamação e imuno-histoquímica, confirmada por publicações e pela tese de doutorado.

O bolsista deverá ter experiência prévia em modelos experimentais de periodontite e ensaios relacionados a esta função. Além disso, é essencial que tenha experiência em ensaios de imuno-histoquímica, western blot, RT-PCR em tempo real, citometria de fluxo, expressão e silenciamento de genes, assim como em outras técnicas de biologia molecular.

Os interessados deverão enviar documentos comprobatórios dos pré-requisitos, curriculum vitae atualizado, carta de intenções para a vaga e duas cartas de recomendação para a pesquisadora principal do Projeto Temático, Sandra Helena Penha de Oliveira, no endereço shpoliv@foa.unesp.br.

A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1554/.

O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista de PD resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação. Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em fapesp.br/oportunidades.

 

Pós-doutorado em pesquisa com células a combustível com Bolsa da FAPESP

02 de junho de 2017

Agência FAPESP – O Research Centre for Gas Innovation (RCGI) dispõe de uma vaga para pós-doutorado com Bolsa da FAPESP. O RCGI é financiado por FAPESP e BG/Shell.

O selecionado participará do projeto de pesquisa “Desenvolvimento de Células a Combustível para Operação a Gás Natural”, que pretende abordar questões críticas para alguns dos principais desafios científicos e tecnológicos para o avanço da utilização do gás natural em células a combustível.

O projeto tem foco em duas tecnologias: células a combustível de membrana trocadora de prótons (PEMFC) e células a combustível de óxido sólido (SOFC). Neste cenário, o projeto visa ao estudo de: 1) anodos mais eficientes para a eletro-oxidação do metano e/ou mais tolerantes a misturas H2/CO de combustível; 2) membranas para PEMFC de alta temperatura de operação; e 3) materiais de anodo e camadas catalíticas resistentes a depósitos de carbono para a utilização direta do gás natural em SOFCs.

O pós-doutorando participará na pesquisa de células a combustível de óxido sólido de metano direto.

Procura-se um candidato com experiência laboratorial na preparação, processamento e caracterização de materiais cerâmicos para células a combustível. Especialização na fabricação de células individuais e na caracterização eletroquímica é essencial.

Espera-se que o candidato tenha experiência em diferentes técnicas, como serigrafia, difração de raios X, microscopia eletrônica e espectroscopia de impedância. As atividades anteriores com ambas as técnicas avançadas de deposição, tais como deposição por laser pulsado e análise de gás (catálise) no teste SOFC, são altamente desejáveis.

Candidaturas serão recebidas até 30 de junho de 2017. A oportunidade está publicada em: fapesp.br/oportunidades/1523.

Mais informações sobre a posição e acesso à inscrição no site do RCGI, em rcgi.poli.usp.br/opportunities ou goo.gl/O6zvKB, referência da posição: 17PDR003.

A vaga está abertas a brasileiros e estrangeiros. Os selecionados receberão Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista de PD resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação. Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em fapesp.br/oportunidades.

Em São José do Rio Preto, bebês expostos ao Zika não tiveram microcefalia

02 de junho de 2017

Karina Toledo, de São José do Rio Preto | Agência FAPESP – Pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) têm acompanhado há cerca de um ano um grupo de 55 mulheres que tiveram diagnóstico confirmado de Zika durante a gestação.

Todas levaram a gravidez até o final. Os bebês nasceram vivos e nenhum caso de microcefalia ou de qualquer alteração neurológica grave foi identificado.

Os dados foram apresentados pelo professor da Famerp Maurício Lacerda Nogueira, em 31 de maio, durante o evento São Paulo School of Advanced Science in Arbovirology, que está sendo realizado com apoio da FAPESP entre os dias 29 de maio e 9 de junho.

“Cerca de 28% dos bebês apresentaram alguma alteração no nascimento, como pequenas calcificações no cérebro, pequenas lesões em vasos cerebrais, surdez unilateral ou danos à retina. Alguns deles apenas tinham o vírus no organismo, mas não apresentavam sintomas. E nenhuma alteração neurológica mais grave foi observada”, disse Nogueira em entrevista à Agência FAPESP.

Como pontuou o pesquisador, todas a crianças incluídas no estudo teriam sido consideradas normais pelos serviços de saúde e não teriam os sintomas identificados se não estivessem participando de um protocolo de pesquisa. O padrão observado em São José do Rio Preto, segundo Nogueira, é muito diferente do que tem sido verificado em estados da região Nordeste ou mesmo no Rio de Janeiro.

Um estudo publicado em 2016 no New England Journal of Medicine por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que 39,2% das grávidas infectadas com o vírus no Rio de Janeiro tiveram bebês com alterações neurológicas importantes e 7,2% das gestações não chegaram ao fim – totalizando 46,4% de desfechos adversos. Foram incluídas nesse estudo 125 gestantes com diagnóstico confirmado de Zika. Quatro bebês nasceram com microcefalia, pouco mais de 3% da amostra estudada.

“O estudo feito no Rio foi a primeira descrição de Zika em gestantes. Agora, estamos adicionando uma nova população, em um novo ambiente, e os resultados são muito diferentes. Estamos mostrando um novo quadro da infecção por Zika na gravidez”, comentou Nogueira.

Dados da cidade de Salvador (BA) foram apresentados também durante a São Paulo School of Advanced Science in Arbovirology por Albert Icksang Ko, pesquisador da Universidade Yale (Estados Unidos) que tem trabalhado em parceria com um grupo da Fiocruz na Bahia.

O pesquisador e seus colaboradores acompanharam todos os nascimentos ocorridos em um hospital público da capital baiana durante o pico da epidemia de Zika no estado – nos meses de novembro e dezembro de 2015. Nesse estudo, portanto, foram incluídas também mulheres sem diagnóstico confirmado da doença.

“Encontramos um quadro completamente diferente do observado em São José do Rio Preto. Cerca de 10% dos bebês nasceram com alterações congênitas graves, entra elas microcefalia”, disse Ko.

Em busca de respostas

De acordo com Nogueira, a primeira hipótese aventada para explicar desfechos gestacionais tão discrepantes foi a existência de populações do vírus geneticamente diferentes no Brasil.

“Essa hipótese já foi afastada, pois trabalhos recentes mostraram que a diversidade do Zika ainda é pequena nas América. Basicamente, o vírus que circula aqui em Rio Preto é o mesmo encontrado na Bahia ou no Rio de Janeiro. Portanto, se a diferença não está no vírus, deve estar no hospedeiro humano. Algum fator genético pode estar conferindo proteção a certas pessoas ou, talvez, a exposição prévia a outros vírus”, disse o professor da Famerp.

Dados do trabalho feito por Ko na Bahia sugerem que a presença de anticorpos contra o vírus da dengue nas gestantes avaliadas foi associada a um menor risco de microcefalia nos filhos. Novos estudos precisam ser feitos para confirmar esse achado preliminar.

Para Paolo Zanotto, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), uma das possibilidades a ser investigada é a ocorrência de coinfecção materna como fator de risco para microcefalia e outras alterações congênitas graves.

“Patógenos como o da sífilis, da rubéola e da toxoplasmose, entre outros, são conhecidos agentes causadores de malformação congênita. É possível que, caso a gestante seja infectada com um deles e com o Zika ao mesmo tempo, isso favoreça o dano ao feto”, disse Zanotto.

Na avaliação do pesquisador da USP, que também coordena a Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika), para se chegar a alguma conclusão será preciso antes determinar o real número de pessoas infectadas nos diferentes locais.

“Para sabermos se houve, proporcionalmente, mais microcefalia no Nordeste do Brasil do que na Colômbia, na América Central ou em São José do Rio Preto é preciso determinar esses denominadores e, para isso, precisamos de testes sorológicos [capazes de detectar anticorpos contra o vírus no sangue mesmo após o término da infecção] extremamente confiáveis”, afirmou.

Para Nogueira, também será necessário, em algum momento, unificar os dados obtidos em São Paulo, no Rio de Janeiro e nos estados do Nordeste para compará-los em conjunto. “Tudo isso ainda precisa ser avaliado com cuidado e em um número grande de pacientes para obtermos respostas mais precisas”, disse Nogueira.

O trabalho realizado na Famerp contou com apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático coordenado por Nogueira.

Agora, em outro projeto, desenvolvido no âmbito do programa Políticas Públicas para o SUS (PPSUS) , o grupo pretende continuar acompanhando os bebês para monitorar o surgimento de eventuais alterações tardias no desenvolvimento.

Unesp de Araraquara abre inscrições para pós-graduação

22 de maio de 2017

Agência FAPESP – O Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, abriu inscrições para os programas de Pós-Graduação em Biotecnologia e de Pós-Graduação em Química. As inscrições para os dois programas vão até 2 de junho de 2017.

Na Biotecnologia, são 14 vagas para mestrado e 14 para doutorado, para ingresso no segundo semestre de 2017. Podem se inscrever portadores de diploma nas áreas de Ciências Exatas ou Biológicas em cursos recomendados pelo Ministério da Educação.

O exame de seleção, que será realizado de 4 a 6 de julho, será aplicado nas cidades de Araraquara (SP), Pereira (Colômbia) e Lima (Peru). Os candidatos de fora do Brasil podem escolher ter as questões da prova escritas em português ou inglês. As respostas poderão ser dadas em português, inglês ou espanhol.

Para o curso de mestrado haverá prova escrita abrangendo conhecimentos básicos de Bioquímica e Microbiologia.

Para o curso de doutorado ou doutorado direto haverá análise do curriculum vitae documentado e análise, apresentação e arguição do pré-projeto.

O edital está disponível em: www.iq.unesp.br/#!/pos-graduacao/biotecnologia/processo-seletivo.

Em Química, são 12 vagas para o mestrado e 15 para o doutorado, com ingresso no segundo semestre de 2017. Podem se inscrever portadores de diploma de curso superior em Química ou área correlata.

O exame de seleção, de 27 a 29 de junho de 2017, será aplicado em Araraquara; Dourados, em Mato Grosso do Sul; Juiz de Fora, em Minas Gerais; Manaus, no Amazonas; Belém, no Pará; Rio Grande, no Rio Grande do Sul; São Cristóvão, em Sergipe; Teresina, no Piauí; Ilhéus, na Bahia; Gurupi, no Tocantins; Viçosa, em Minas Gerais; Rio Paranaíba, em Minas Gerais; Areia, na Paraíba; Volta Redonda, no Rio de Janeiro; Hermosillo, no México; Lima, no Peru; Pereira, na Colômbia; Peshawar, no Paquistão, e Quebec, no Canadá.

O candidato poderá optar por realizar a prova em português ou em inglês e dar as respostas em português, inglês ou espanhol.

O exame de seleção para o curso de mestrado constará de prova escrita sobre aspectos fundamentais da Química e Engenharia Química e para o curso de doutorado haverá prova escrita sobre aspectos fundamentais da Química e Engenharia Química e análise do curriculum vitae, histórico escolar e pré-projeto. A prova escrita terá 12 questões, sendo oito de Química e quatro de Engenharia Química. O aluno deverá escolher apenas oito questões para responder.

O edital está disponível em: www.iq.unesp.br/#!/pos-graduacao/quimica-2/processo-seletivo.

Doutorado ou Pós-Doutorado em Portugal

O Prof. Alexander Kirillov, da Universidade de Lisboa, está selecionando um candidato com título de mestre (para um doutorado) ou um recém-doutor para começar em Junho/Julho.

Caso alguém se interesse, por favor entrar em contato com ele:

kirillov@tecnico.ulisboa.pt

 

 

Mini-currículo:O Prof. Kirillov é um jovem cientista renomado, possuindo cerca de 140 artigos em revistas especializadas que resultaram em aproximadamente 2.400 citações e um fator h = 30. Suas principais áreas de investigação são em Química de Coordenação, Engenharia de Cristais e Oxidação Catalítica com ênfase nos seguintes temas: (i) Planejamento e síntese de MOFs, polímeros de coordenação, complexos multinuclearese materiais; (ii) Sistemas catalíticos biomiméticos para oxidação dealcanos e outros substratos com importância industrial (ativação C-H, oxidação biomimética, carboxilação, protocolos verdes); (iii) Síntese e processos sintéticos em meio aquoso.

PhD scholarship

Atendendo a solicitação, estamos divulgando a oferta de uma bolsa para Doutorado no Laboratório de Catálise e Química dos Sólidos da Universidade de Lille, França.

Os interessados devem fazer contato diretamente com os e-mails suscat2017@univ-lille1.fr e vitaly.ordomsky-ext@solvay.com

 

From: Dr Andrei Khodakov, CNRS

Sent: Thursday, 27 April, 2017 12:37

 

 

Dear colleague,

Please find below information about a vacant PhD scholarship in our laboratories.

Please feel free to share this information

Do not hesitate to contact us with any questions.

Best regards,

Andrei Khodakov, CNRS Research Director, PhD, Dr Sc (Hab.)

Unité de catalyse et chimie du solide (UMR 8181 CNRS)

Ecole Centrale de Lille

Université Lille 1, Sciences & Technologies

Cité scientifique

59655 Villeneuve d’Ascq, France

Tel. + 33 3 20 33 54 39

Fax. +33 3 20 43 65 61

 

PhD scholarship in heterogeneous catalysis

 Job description

One of the most important challenges of modern heterogeneous catalysis is design of catalysts which simultaneously offer high activity and high selectivity under mild conditions. In this thesis, we plan to develop a novel strategy which will enable to greatly improve the selectivity of several industrially relevant reactions such as hydrogenation, oxidation and amination over metal and acid catalysts. The work will involve intelligent catalyst synthesis and activation, extensive characterization and catalytic tests. The PhD research will be conducted in Catalysis and Solid State Chemistry Laboratory (UCCS, http://uccs.univ-lille1.fr) in Lille (France) and International Joint Research Lab for Ecoefficient Products and Processes Solvay (E2P2L) (http://www.e2p2l.com)  in Shanghai (China).

Desired skills and experience

Highly motivated and excellent candidates holding an MSc degree in catalysis, chemical engineering, organic and inorganic chemistry or related subjects are strongly encouraged to apply. Creativity with catalyst synthesis, experience with catalyst characterization, catalytic reactors and GC analysis are highly appreciated. Communication skills (oral, written, presentation).  Proficiency in English (speaking and writing publications).

Interested applicants should mail their detailed curriculum vitae, a short statement explaining their interest for this PhD project and names and contact details of three references to vitaly.ordomsky-ext@solvay.com and andrei.khodakov@univ-lille1.fr

About the employer

International Joint Research Lab for Eco-efficient Products and Processes (E2P2L) is joint research center between Solvay and French National Center for Scientific Research (CNRS) in Shanghai (http://www.e2p2l.com). Laboratory is specialized on chemistry related to sustainable development. The projects aim to develop new methods for the environmentally friendly transformation of biomass and/or CO2 with applications in the field of surfactants or biopolymers. This laboratory is based on fundamental research and modeling approaches while retaining the industrial application at the end of the research.

Catalysis and Solid State Chemistry Laboratory (UCCS – UMR 8181) Is an internationally renowned team of academic and CNRS researchers. The UCCS is involved in both fundamental and applied research in the fields of heterogeneous and homogeneous catalysis and solid state chemistry. For several years, the UCCS has been involved in the design of catalysts and catalytic reactors for the production of platform molecules, chemicals and fuels from fossil and renewable resources.

 

Mestrado/Doutorado Unesp – Araraquara

O Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, abriu inscrições para o programa de Pós-Graduação em Química até o dia 02 de junho de 2017.

O exame de seleção, que será realizado de 4 a 6 de julho, terá uma prova escrita sobre aspectos fundamentais da Química e da Engenharia Química. A prova terá 12 questões, sendo 8 de Química e 4 de Engenharia Química. O aluno deverá escolher apenas 8 questões para responder.

O edital de seleção está disponível na página:

http://www.iq.unesp.br/#!/pos-graduacao/quimica-2/processo-seletivo/

 

Processo seletivos para Mestrado e Doutorado em Química na PUC-RIO

Processo seletivos para Mestrado e Doutorado em Química na PUC-RIO – Entre 24 de abril e 18 de junho de 2017

 

Entre 24 de abril a 18 de junho de 2017, estão abertas as inscrições para a seleção de alunos de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Química da PUC-Rio.

http://www.qui.puc-rio.br/noticiaprocessoseletivo/

 Responsável Prof. Omar Pandoli

Departamento de Química, PUC_RIO, sala 279

http://lattes.cnpq.br/8388181041362942

omarpandoli@puc-rio.br

Laboratório de Química em dispositivos microfluidicos (MicroFlowChemLab)

O MicroFlowChemLab desenvolve métodos de microfabricação de dispositivo microfluidicos “Lab-on-Chip” aplicados na química orgânica (fotocatálise e organocatálise em fluxo continuo). Sintetiza e caracteriza materiais nanoestruturados metálicos: nanopartículas de prata (Ag-NPs), ouro (Au-NPs), titânio e quantum dots luminescentes (QDs).

Laboratório de caracterização de nanomateriais e compósitos (NanoChemLab)

 O NanoChemLab atua na micro- e nanoescala pela caracterização da morfologia, potencial de superfície, das propriedades magnéticas e Quanto-NanoMecânicas (QNM do modulo de elasticidade, adesão e deformação) de materiais nanoestruturados e biocompósitos mediante microscopia de força atômica (AFM) em modalidade Tapping Mode (TM),  Kelvin Probe Force Microscopy (KPFM), Magnetic Force Microscopy (MFM) e Peak Force QNM. Desenvolve e caracteriza nanocompositos híbridos orgânicos-inorgânicos com ênfase no tratamento do bambu com Ag-NPs e Cu-NPs contra ataques de fungos e insetos, melhorando sua durabilidade e características mecânicas.

Tese de mestrado e doutorado

disponíveis pelos seguintes projetos

1) Micro- e mesorreatores fotocatalíticos heterogêneos de semicondutores de TiO2 associados ao efeito plasmônico de metais Al, Ag e Au  para fotodegradação de compostos orgânicos.

 2) Microfluídica para Síntese de Nanopartículas Janus Anfifílicas e Fotocatalíticas.

 3) Nanocompósito de bamboo: nanopartículas metálicas na matriz polimérica natural para implementar propriedades catalíticas e antifungicas.

Projeto 1.

Micro- e mesorreatores fotocatalíticos heterogêneos de semicondutores de TiO2 associados ao efeito plasmônico de metais Al, Ag e Au  para fotodegradação de compostos orgânicos.

Projeto “Jovem Cientista do Nosso Estado-JCNE” aprovado e financiado pela FAPER

Descrição: O uso de sistemas meso- e microfluídicos tem se expandido nos últimos anos, fato este que está intrinsicamente ligado à sustentabilidade ambiental, alto rendimento e economia de produção. A combinação de sistemas microfluídicos com a fotocatálise heterogênea através da imobilização do TiO2 em PDMS, oferece uma nova e ampla possibilidade de reações químicas fotocatalisadas mostrando maior eficiência em dispositivos em fluxo continuo respeito aos sistemas em batelada. Por esta razão, a investigação nas áreas de microfluídica e fotocatálise heterogênea com imobilização do TiO2 em PDMS, torna-se uma excelente alternativa para o desenvolvimento de dispositivos microfluídicos fotocatalíticos com alto poder de oxidação de compostos orgânicos. O uso de semicondutores, tais como TiO2, dopados com metais (Al, Ag e Au), tem sido relatado pela literatura como incremento da eficiência fotocatalítica devido ao efeito de Ressonância Plasmônica de Superfície (SPR), que garante maior aproveitamento energético e impede o fenômeno de recombinação do elétron fotoexcitado do semicondutor. O projeto visa o aprimoramento da prototipagem de micro- e mesorreatores fotocatalíticos pela deposição de material nanoestruturado de metais (Al, Ag, Au) sobre uma camada de TiO2 impregnado em PDMS. A geração de compósito Metal/Semicondutor/PDMS (compósito fotocalitico plasmônico) incorporado em micro- e mesorreatores serão objetos de estudo pela fotodegradação de moléculas orgânicas em fluxo contínuo. As etapas que constituem a base deste projeto são: a) Otimização de dopagem do compósito PDMS-TiO2 com metais Al, Ag e Au mediante deposição em alto vacuo por feixes de elétrons; b) prototipagem de dispositivos micro e mesofluídicos fotocatalíticos plasmônico com duas técnicas de microfabricação, impressão a Laser de CO2 e fotolitografia macia c) testes de fotodegradação de moléculas orgânicas e comparação da eficiência fotocatalítica plasmônica dos dispositivos com e sem metal nanoestruturado..

Projeto 2.

Microfluídica para Síntese de Nanopartículas Janus Anfifílicas e Fotocatalíticas.

Projeto “Grupo Emergentes” aprovado e financiado pela FAPER.

 Descrição: Nos últimos anos, métodos de desenvolvimento de arquitetura, obtenção e caracterização de sistemas nanodimensionais desenvolveram-se consideravelmente. Dentre estes, destacam-se os que possuem dois lados ou ?faces? de naturezas químicas diferentes, conhecidos como nanopartículas Janus (JNPs). Uma das classes de JNPs que gera maior interesse é aquela na qual um dos hemisférios é hidrofóbico e o outro hidrofílico. Neste caso, as JNPs têm propriedades semelhantes às de surfactantes, porém em dimensão nanométrica. JNPs têm atraído grande atenção devido a seu potencial para diversas aplicações, tais como: liberação controlada de fármacos, atividade bactericida, biomarcação, aplicações biomédicas e atividade catalíticas. A fim de manipular e sintetizar JNPs garantindo reprodutibilidade, alto controle e escalabilidade, é necessário explorar novas tecnologias em fluxo contínuo mediante o auxílio de plataformas microfluídicas. Em comparação aos seus métodos convencionais análogos, os sistemas microfluídicos destacam-se devido a rapidez de reações, tamanho mínimo de dispositivos, menor consumo de amostra e reagente, controle preciso de fenômenos de transferência térmica e mássica, escoamento estritamente laminar, baixo consumo e dissipação de energia, e baixo custo relativo de produção por dispositivo. Neste projeto, nanopartículas metálicas anfifílicas serão utilizadas para o crescimento seletivo de um óxido em apenas uma das faces do metal. Este método de síntese pode permitir um controle da morfologia, tamanho e fase cristalina do óxido a ser ancorado para reações de fotocatálise. O caráter Janus permitirá que ambas as faces que contêm espécies catalíticas diferentes sejam acessadas simultaneamente e seletivamente pelos reagentes. Como se tratam de nanopartículas (NPs), existe uma enorme interface entre as diferentes fases e alta área superficial a ser utilizada para as reações catalíticas, o que possibilita que todo catalisador seja acessado evitando o desperdício de materiais que não participarão da reação, como ocorre com partículas grandes. O principal objetivo deste projeto é estabelecer uma rede entre pesquisadores emergentes, criando uma nova linha de pesquisa que se insere no estado da arte da nanociência e da microfluídica, áreas ainda incipientes no Brasil e no estado do Rio de Janeiro. Para isso, o processo já estabelecido de síntese de JNPs de ouro por batelada será metodologicamente comparado aos processos microfluídicos a serem desenvolvidos. A diversidade de possibilidades oferecida por tais NPs permitirá obter sistemas com diferentes propriedades combinadas, além de viabilizar sua aplicação para diferentes fins, como fotocatálise, uso em emulsões, entre outros. O projeto trará, portanto, uma promissora contribuição no desenvolvimento e inovação de uma tecnologia sustentável com potencial de transformar o mercado brasileiro de microfabricação de dispositivos em fluxo contínuo para a síntese de nanopartículas Janus anfifílicas e fotocatáliticas.

Projeto 3.

Nanocomposite bambu: metal nanoparticles into matrix BioPolimer for catalític and antifungical applications

Projeto “Transversal” aprovado e financiado pelo CNPQ

Nanocomposite is defined as a multiphase material in which a nano-object, with at least a dimension in a nanometric range, is incorporated in the polymeric matrix. On our previous work, for the first time, silver nano-nanoparticle (NPs) have been dispersed as nanofiller agents in the bamboo’s microscale ambient to enhance the durability of bamboo against the biological degradation in ambient condition. The spatial and orientation control of the nanofillers deposition is a key aspect to establish a structure-properties relationship. Tuning the final nanocomposite structure we can enhance chemical, physical, mechanical and thermal properties or to add new functional activities as catalyst and antimicrobial behavior. In this project we want to study the distribution of new functionalized metal nanoparticle with different organic ligands and polymers to improve the dispersion into the heterogeneity carbon based matrix of bamboo. The bamboo is a multicomponent polymers based on cellulose, hemicellulose and lignin with a hierarchical structure of nano- and microfiber anisotropically oriented. Charged and neutral surfactants will be necessary to improve the adhesion between the nanofillers and the biopolymers. The hydrodynamic radius and the electrostatic potential of the metal surface will control the spatial distribution in different and selected regions of the microscopic dimension of the guest matrix. For these purpose, we need to face a key problem of nanotechnology industrialization: the monodispersion of the nanofiller for a high standard production of nanocomposite materials. Our aim is to understand the interactions of the nanofiller (guest) with the inner carbon based substrate (host) to control and/or prevent the self-sorting deposition of different functionalized NPs.
To deeply control the production of hybrid bio-engineering material, the nanofilled system has to be fully characterized on the nanoscale dimension to determine the following data: particle-particle interaction inside the biological matrix, density particle per volume, the volume fraction of the nanocluster in to the microambient and the interfacial region between the nanoparticle and the nanofilled system. The nanofilled bamboo with the selected metal nanoparticles can pave the way for new functional materials with enhanced catalytic and antimicrobial activities.

EDITAL DE SELEÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM QUÍMICA – INGRESSO 2017.2

MESTRADO E DOUTORADO

 O Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) faz saber aos interessados que, no período de 24 de abril a 18 de junho de 2017, estarão abertas as inscrições para a seleção dos candidatos ao Programa de Pós-graduação em Química (PPG-Qui), cursos de Mestrado e de Doutorado, para ingresso no segundo semestre de 2017, na forma deste edital.

O Programa de Pós-Graduação em Química da PUC-Rio, com conceito 5 na CAPES, estrutura-se em 4 linhas de pesquisa (www.qui.puc-rio.br):

  • Energia, Meio Ambiente e Ciências do Mar
  • Nanociências, Interfaces e Coloides
  • Fármacos e Interações Químico-Biológicas
  • Métodos Analíticos e Qualidade Metrológica
  1. Vagas:

1.1. Curso de Mestrado

  • Serão oferecidas: 5 vagas
  • O curso destina-se a portadores de diploma de graduação plena, outorgado por instituição oficial ou reconhecida, em Química, Física, Biologia, Oceanografia, Farmácia, Engenharias ou outras áreas afins.
  • Poderão ser aceitas inscrições de candidatos sem o diploma de graduação, de acordo com os termos do capítulo 2.

1.2. Curso de Doutorado:

  • Serão oferecidas: 5 vagas
  • O curso destina-se a portadores do título de Mestre em Química ou em áreas afins. Poderão ser aceitas inscrições de candidatos sem o título de Mestre, de acordo com os termos do capítulo 2. Não é excluída, entretanto, a admissão direta de alunos no doutorado; entretanto, tal admissão só se dará em caráter excepcional, após julgamento do mérito do candidato pela Comissão de Pós-Graduação do Departamento de Química.

 

Para mais detalhes CLIQUE NOS LINKS ABAIXO

2017.2 – Edital de Seleção PG

2017_MicroFlowChem NanoChemLab

OU ENTRE EM

http://www.qui.puc-rio.br/noticiaprocessoseletivo/

TT-3 e Iniciação Científica na Esalq com Bolsa da FAPESP

04 de maio de 2017

Agência FAPESP – A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) oferece uma oportunidade de Treinamento Técnico (TT-3) e uma de Iniciação Científica em Geotecnologias Aplicadas a Solos com Bolsas da FAPESP. O prazo das inscrições encerra em 10 de maio.

As duas bolsas estão vinculadas ao Projeto Temático “Geotecnologias no mapeamento digital pedológico detalhado e biblioteca espectral de solos do Brasil: desenvolvimento e aplicações”, que tem como pesquisador responsável Jose Alexandre Melo Dematte.

O bolsista de TT-3 terá atividades relacionadas ao desenvolvimento do laboratório de sensoriamento remoto e geoprocessamento aplicados a solos, compreendido no projeto temático indicado: apoio às atividades do laboratório, organização, leituras em sensores, apoio às atividades de campo, softwares, entre outras atividades para o bom andamento do projeto.

Os interessados devem enviar currículo vitae completo para o pesquisador responsável, no endereço jamdemat@usp.br.

A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1520/.

Para mais informações sobre Bolsas de Treinamento Técnico acesse http://www.fapesp.br/bolsas/tt.

Valores de bolsas TT estão em http://www.fapesp.br/3162 .

As atividades do bolsista de Iniciação Científica consistirão no desenvolvimento de trabalho relacionado ao sensoriamento remoto aplicado no estudo do solo e sua relação com o desenvolvimento das plantas.

Os interessados devem ter noções básicas em um ou mais dos seguintes softwares: arcgis, qgis, envi e/ou R. Os candidatos devem cursar entre o 3º e o 6º semestre, com nota média mínima de 7,0 e sem reprovações, devendo ter disponíveis no mínimo 16 horas para o estágio.

Os candidatos devem enviar currículo vitae completo para o pesquisador responsável no endereço jamdemat@usp.br.

A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1521/.

Para mais informações sobre Bolsas de Iniciação Científica acesse http://www.fapesp.br/bolsas/ic/.

Brasil terá centro de pesquisa em novas energias

18 de abril de 2017

Agência FAPESP – A FAPESP e a BG E&P Brasil, empresa subsidiária do Grupo Shell, financiarão um centro de pesquisa em novas energias em São Paulo.

Os parceiros, que mantêm acordo de cooperação desde 2013, anunciaram uma chamada de propostas para a instalação do Centro de Pesquisa em Novas Energias, com foco no desenvolvimento de pesquisa em quatro divisões: Transportadores de alta densidade de energia, Armazenamento avançado de energia, Conversão de metano em produtos e Ciência computacional de materiais.

O Centro buscará ter impacto social positivo e sustentável e alcançar um reconhecimento mundial por meio de suas pesquisas em novas energias. A visão de longo prazo do Centro de Pesquisa inclui contribuir para o desenvolvimento de cursos de bacharelado e mestrado, assim como treinamento vocacional para novos participantes e funcionários que buscam educação e carreiras em novas energias.

O Centro de Pesquisa em Novas Energias deverá também ter mecanismos eficientes para educação e disseminação do conhecimento e para a transferência de tecnologia.

O prazo para envio de propostas vai de 16 de maio a 9 de junho de 2017.

As propostas deverão ser em inglês, uma vez que serão analisadas internacionalmente.

A chamada de propostas está publicada em: www.fapesp.br/10896.

FFCL de Ribeirão Preto faz concurso para 10 cargos de professor titular

29 de março de 2017

Agência FAPESP – A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) abriu inscrições para concurso que vai preencher 10 cargos de professor titular em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP) com salário de R$ 15.863,33.

As vagas estão abertas nos seguintes departamentos e áreas:

Departamento de Música
  – Área de Música, uma vaga. Prazo de inscrição: até 3 de julho.

Departamento de Psicologia
  – Área de Neurociências e Comportamento, uma vaga. Prazo de inscrição: até 30 de junho.
– Área de Psicologia Clínica e Psicologia da Saúde, uma vaga. Prazo de inscrição: até 13 de junho.

Departamento de Física
  – Área de Física Aplicada à Medicina e Biologia, duas vagas. Prazo de inscrição: até 20 de junho.

Departamento de Biologia
  – Área de Biologia Geral, uma vaga. Prazo de inscrição: até 16 de junho.

Departamento de Educação, Informação e Comunicação
  – Área de Política, Gestão e Financiamento da Educação no Brasil, uma vaga. Prazo de inscrição: até 9 de junho
– Área de Ciência da Informação, uma vaga. Prazo de inscrição: até 6 de junho.

Departamento de Química
  – Área de Química, duas vagas. Prazo de inscrição: até 5 de junho.

Os editais do concurso por departamento estão disponíveis no endereço: www.ffclrp.usp.br/concursos/index.php?id_categoria=1.

Estrutura de proteína essencial à replicação do vírus Zika é desvendada

28 de março de 2017

Maria Guimarães | Revista Pesquisa FAPESP – Com seu tamanho diminuto, um mosquito pode causar um medo considerável. Principalmente se, esmagado com um tapa depois da picada, exibir patas listradas. E mais ainda se quem levou a picada estiver grávida. Transmissor dos vírus causadores de Zika, dengue e chikungunya, o mosquito Aedes aegypti é de fato um inimigo temível.

Por isso o físico Glaucius Oliva, professor do Instituto de Física do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coordenador do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), sonha com um medicamento que possa ser utilizado em seguida à picada ou logo que aparecem os sintomas, de modo a bloquear a proliferação dos vírus e acelerar a cura. Seu grupo acaba de dar o primeiro passo nessa busca: desvendou a estrutura tridimensional da proteína mais crucial para a replicação do material genético do vírus, conforme descrito em artigo publicado em 27 de março na revista Nature Communications.

“Buscamos o desenvolvimento de fármacos por meio da modelagem de moléculas que interagem com receptores específicos”, conta Oliva. O CIBFar é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. “Mas nunca tínhamos trabalhado com vírus até a formação da Rede Zika (ver Pesquisa FAPESP nº 239).”

O caráter emergencial da pesquisa chamou a atenção do pesquisador, que começou a coordenar a modelagem molecular das proteínas codificadas pelo genoma do vírus Zika. Trata-se de uma molécula bastante curta de RNA que carrega o código para 10 proteínas: três estruturais, responsáveis pela estrutura física que envolve o material genético, e sete não estruturais, associadas à replicação do RNA viral. “O coração do complexo de replicação é a proteína NS5, uma enzima polimerase que usa o próprio RNA como molde para produzir cópias”, explica Oliva. É essa proteína que seu grupo caracterizou, e que pretende usar como alvo para o desenvolvimento de um fármaco.

Para chegar à estrutura foi necessário clonar o RNA, uma etapa feita em parceria com a Cellco, uma empresa criada e incubada na USP em São Carlos por três ex-doutorandos do IFSC com o objetivo de oferecer soluções para laboratórios de pesquisa em biotecnologia. Depois de sintetizar o gene, de modo a não trabalhar diretamente com o vírus, e produzir a proteína, foi necessário formar cristais com a molécula, uma forma de possibilitar a investigação de sua configuração por meio da cristalografia de raios X. Com isso, foi possível chegar ao detalhe na menor escala possível, com a localização de cada um dos milhares de átomos que compõem a proteína.

De posse desse modelo, resta encontrar uma maneira de interferir com o funcionamento da polimerase e impedir a replicação genética. Os pesquisadores de São Carlos não são os primeiros a adotar essa estratégia. “A farmacêutica Novartis há anos está tentando produzir um fármaco contra dengue focando na NS5 do vírus”, conta Oliva.

Embora a empresa tenha outra escala em termos de recursos financeiros e instalações, se comparada à universidade, ele não se sente em desvantagem. “O que eles fazem, nós também fazemos na busca por uma molécula que bloqueie o sítio ativo da proteína”, afirma. Ele já sabe, na comparação entre a proteína do vírus Zika e a do vírus da dengue, que os respectivos sítios ativos apresentam diferenças importantes.

O fármaco que o grupo do CIBFar busca, portanto, seria específico para Zika. Com a publicação da estrutura cristalizada, ele espera contribuir para uma corrida em que diferentes laboratórios buscarão novos inibidores para a enzima NS5, candidatos a tratamento para a doença.

O artigo de Godoy, A.S. e outros Crystal structure of Zika virus NS5 RNA-dependent RNA polymerase, publicado na Nature Communications, pode ser lido em http://www.nature.com/articles/ncomms14764.

Espectrometria Atômica é tema de workshop organizado pelo Departamento de Química do CTC/PUC-Rio

O VII Workshop em Espectrometria Atômica (WEA), focado em pesquisas aplicadas à química ambiental, será realizado nos dias 30 e 31 de março, pelo departamento de Química do Centro Técnico Científico (CTC) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). As palestras contarão com a participação de professores da PUC-Rio, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de uma professora visitante, da Universidad de Oviedo, na Espanha. Além das palestras, os participantes poderão conhecer os laboratórios do Departamento de Química da PUC-Rio onde são realizadas pesquisas com espectrometria atômica. Considerado um curso pré-simpósio, o VII WEA é vinculado ao 14th Rio Symposium on Atomic Spectrometry, que acontecerá em Vitória (ES), de 2 a 8 de abril. A inscrição no WEA deve ser feita diretamente no site http://sgu.net.br/event/VII_WEA e é gratuita para os estudantes inscritos no Rio Symposium. Para os profissionais e os não inscritos no simpósio, o valor de inscrição é de R$ 100. Mais informações: http://sgu.net.br/event/VII_WEA, http://www.qui.puc-rio.br/event/vii-workshop-em-espectrometria-atomica-wea/ e http://www.ctc.puc-rio.br

Banco de Currículos de Doutores da Universidade Católica de Petrópolis: chamada para a área da educação

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) torna pública a presente chamada para a composição de seu Banco de Currículos com o objetivo de selecionar professores doutores para o quadro permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação. Os doutores interessados devem encaminhar seu currículo lattes atualizado para propep@ucp.br, com indicação de disponibilidade e resumo da pesquisa que pretendem desenvolver no âmbito do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da UCP. Mais informações: tel.: (24) 2244-4096 e e-mail propep@ucp.br

Artigo de pesquisadora da Uerj sobre o grafeno ganha destaque internacional

A física brasileira Daiara Fernandes de Faria, do Instituto Politécnico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em Nova Friburgo, é uma das autoras de artigo intitulado “Tuning the pseudospin polarization of graphene by a pseudo-magnetic field”, publicado com destaque, no final de fevereiro, na revista Nano Letters. O trabalho fornece um estudo detalhado sobre novas possibilidades de controlar as propriedades eletrônicas do grafeno apenas ao deformá-lo fisicamente. O estudo contou com a participação de consagrados pesquisadores internacionais, como Nancy Sandler, da Universidade de Ohio (EUA), e Markus Morgenstern, da Universidade de Aachen (Alemanha); além da coautoria do Konstantin Novoselov, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2010 e professor da Universidade de Manchester, no Reino Unido. O grafeno é um material bidimensional formado por átomos de carbono, e tem sido considerado como um dos materiais chave para o desenvolvimento de futuras aplicações tecnológicas. O estudo poderá ajudar cientistas a desvendar outras nuances, em novos experimentos com o grafeno, que não são facilmente entendidas até o momento, além de contribuir para o avanço do controle de propriedades de materiais em escala nanométrica. Ao longo dos últimos anos, Daiara tem recebido apoio da FAPERJ por meio de diversos programas, como os editais Pensa Rio, Apoio a Grupos de Pesquisa Emergentes e Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional. O artigo está disponível para leitura neste endereço: http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acs.nanolett.6b04870

Pipoca made in Brasil

 

Em laboratório na Uenf, pesquisadores realizam testes para
identificar plantas que melhor se adaptem
a solos com
baixo teor de fósforo da região
(Foto: Divulgação)

Atores, diretores, trilha sonora, efeitos especiais. Há algum tempo o cinema norte-americano faz não só a cabeça de nós brasileiros, mas também o paladar, quando o assunto é pipoca. Aqui, essa variedade especial de milho produzida nos Estados Unidos também é a estrela dentro e fora das salas de cinema. Cerca de 90% do alimento que consumimos vem de lá. A estimativa é do agrônomo e especialista em genética e melhoramento de grãos Antonio Teixeira do Amaral Júnior.

Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ, Amaral Jr. é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e há 20 anos se dedica a tornar o milho-pipoca um cultivo economicamente atraente aos pequenos e médios produtores do estado. Segundo o pesquisador, o milho-pipoca é três vezes mais rentável do que o milho comum. No entanto, o Brasil conta com apenas três sementes naturais daqui, frente aos 87 cultiváveis vindos de fora e comercializados no País.

Além dos ganhos para a economia, tornar o Rio de Janeiro autossuficiente na produção de milho-pipoca levaria também ao fortalecimento da agropecuária do estado. De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o agronegócio no Rio de Janeiro tem uma participação de apenas 0,5% no valor adicional bruto do PIB nacional (Produto Interno Bruto), enquanto o vizinho Espírito Santo participa com 3,4%.

“Hoje somos um estado dependente economicamente dos royalties do petróleo. Temos que ter uma alternativa e o cultivo do milho-pipoca pode ser uma saída. Com um alto valor de mercado e muita aceitação, interna e externamente”, avalia Amaral Jr.

Para tornar o Rio de Janeiro um produtor do grão, o pesquisador e professor da Uenf estuda técnicas de melhoramento genético da planta por meio da seleção de híbridos mais adaptados a solos pobres em fósforo, que é o caso do nosso estado. Em 2014, o estudo recebeu apoio por meio do programa Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), da FAPERJ, que concedeu suporte financeiro à manutenção das pesquisas.

Antonio Teixeira do Amaral Jr.: para o pesquisador, cultivo do
milho-pipoca pode ajudar a reduzir a dependenência do estado do
Rio de Janeiro dos royalties do petróleo (Foto: Paulo Damasceno)

“Fazemos uma seleção de linhagem para a obtenção de híbridos. Em outras palavras, por meio de testes em campo na fazenda de Itaocara, onde os níveis de fósforo chegam a 5 bpm, bem abaixo da média nacional, induzimos o cultivo do milho-pipoca e acompanhamos como a planta se desenvolve. Selecionamos os híbridos que melhor se adaptam às condições de solo e clima, isto é, quais se apresentam mais vigorosos, produzindo mais sementes e conseguindo se expandir bem”, explica o agrônomo.

Segundo Amaral Jr., além do Rio de Janeiro, o Centro-Oeste, maior produtor de soja do País, tem solos com baixos níveis de fósforo. Logo, para o professor da Uenf, o avanço das pesquisas com o milho-pipoca poderia levar à região a ter mais uma boa e rentável opção de cultivo. “Já identificamos as linhagens superiores e já estamos obtendo os híbridos, que são o resultado do cruzamento entre linhagens superiores. Após a conclusão dessa etapa, vamos efetuar o registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, só depois, iniciaremos o processo de comercialização, quando efetivamente o grão chegará às mãos do produtor”, conta o pesquisador.

Outra vantagem do melhoramento genético do milho-pipoca é o cultivo sustentável, sem o uso de fertilizantes. “Esta é uma cultura mais suscetível do que o milho comum, por isso requer mais cuidados. Além do fósforo, há estudos na Uenf para tornar o grão mais resistente a determinadas pragas, como também mais tolerante a solos com baixo nível de nitrogênio e ao déficit hídrico”, diz o pesquisador. Agora é aguardar para que as salas de cinema do País recebam, em breve, as estrelas nacionais da agricultura.

Disponível em: http://www.faperj.br/?id=3352.2.9

Unicamp seleciona para Doutorado sanduíche e PD em simulação de campos de petróleo

08 de março de 2017

Agência FAPESP – O Unisim, grupo de pesquisa em simulação e gerenciamento de campos de petróleo, vinculado ao Departamento de Energia, Divisão de Engenharia de Petróleo da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas ((Unicamp), está selecionando alunos para Doutorado sanduíche e Pós-Doutorado na Durham University, em colaboração com a BG E&P Brasil, subsidiária da Shell, para estudar simulação numérica de reservatórios, análise de incertezas e decisão.

O prazo de inscrição para as vagas de Doutorado sanduíche encerra em 30 de março. O prazo de submissão para as vagas de Pós-Doutorado encerra em 30 de abril.

As vagas de Doutorado estão alocadas no grupo Unisim do professor Denis Schiozer (Unicamp) e no grupo do Departamento de Ciências Matemáticas, Estatísticas e Probabilidade, dos professores Michael Goldstein e Ian Vernon, em Durham.

O foco primário é investigar e desenvolver um ajuste de histórico e estratégias de previsão de produção para reservatórios de petróleo, com o objetivo de otimizar o gerenciamento de reservatórios e a análise de decisão frente às múltiplas incertezas.

Os interessados devem ter dissertação nas disciplinas de Engenharia, Geociências, Física, Matemática e/ou Estatística, preferencialmente Engenharia de Petróleo, incluindo simulação de reservatórios e estatística.

Para mais informações, acesse o site: http://www.unisim.cepetro.unicamp.br/br/oportunidades/duplo-diploma.

As vagas de Pós-Doutorado estão vinculadas à área de conhecimento do grupo do Departamento de Ciências Matemáticas, Estatísticas e Probabilidade dos professores Michael Goldstein e Ian Vernon (Durham), com o suporte do professor Denis Schiozer (Unicamp).

Os interessados devem ter tese nas disciplinas de Engenharia, Geociências, Física, Matemática e/ou Estatística, preferencialmente Engenharia de Petróleo, incluindo simulação de reservatórios e estatística.

Para mais informações, acesse o site: http://www.unisim.cepetro.unicamp.br/br/oportunidades/pos-doutorado.

UFSCar abre inscrições para mestrado em Gestão Industrial Sucroenergética

23 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) abriu inscrição para o programa de Master of Technology Administration (MTA) em Gestão Industrial Sucroenergética. As inscrições vão até 10 de março.

Trata-se de um programa de pós-graduação focado na Administração de Tecnologia, com nível de especialização lato sensu, que tem o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC).

O curso aborda questões básicas como matéria-prima, geração de energia, produção de álcool e cana-de-açúcar orgânica, logística, mercado, controle de qualidade, novas tecnologias e gestão. Podem participar engenheiros, administradores, economistas, tecnólogos e demais profissionais com formação de nível superior que exercem ou pretendem exercer atividades relacionadas ao setor sucroenergético.

O corpo docente é formado por pesquisadores da UFSCar e colaboradores de outras instituições. As aulas serão ministradas na cidade de Sertãozinho, em São Paulo, nas dependências da Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético (Uniceise), a partir do dia 18 de março.

Os encontros serão quinzenais, aos sábados. O curso, com duração de um ano e oito meses, tem a parceria do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-BR).

Os interessados devem enviar a ficha de inscrição disponível em www.mta.ufscar.br, juntamente com o curriculum vitae, para o e-mail mta@cca.ufscar.br.

Mais informações podem ser obtidas no site www.mta.ufscar.br ou pelo telefone (19) 3543-2614.

Unesp fará concurso para professor substituto em área de Ciências Farmacêuticas

15 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara abriu inscrições para concurso público para a contratação, em caráter emergencial, de dois professores substitutos por um período de cinco meses. As posições foram abertas em 13 de fevereiro e encerram em 15 e 17 de fevereiro.

O contrato será de 12 horas semanais de trabalho sob regime jurídico da CLT e legislação complementar. O salário é de R$ 1.795,81.

A primeira posição está vinculada ao Departamento de Princípios Ativos Naturais e Toxicologia, nas disciplinas Farmacologia e Farmacologia II. Os candidatos devem ter, no mínimo, título de doutor na área de Ciências Biológicas ou Saúde, com Pós-graduação em Farmacologia ou áreas afins.

O prazo de inscrição encerra em 15 de fevereiro. As inscrições serão recebidas das 8h às 11h30 e das 14h às 16h30 na Seção Técnica de Comunicações do Prédio da Administração da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, à rodovia Araraquara-Jaú, km 1, em Araraquara, São Paulo.

Mais informações estão disponíveis no edital.

A segunda posição está vinculada ao Departamento de Ciências Biológicas, na disciplina Biologia Molecular. Os candidatos devem ter, no mínimo, o título de doutor na área de Farmácia-Bioquímica, Ciências Biológicas, Biotecnologia e áreas afins.

O prazo de inscrição encerra em 17 de fevereiro. As inscrições serão recebidas no horário de 8h às 11h30 e das 14h às 16h30 na Seção Técnica de Comunicações do Prédio da Administração da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, à rodovia Araraquara-Jaú, km 1, em Araraquara, São Paulo.

Mais informações estão disponíveis no edital.

Nanopartícula inorgânica mostra potencial para ser usada como carreador de fármaco

13 de fevereiro de 2017

Karina Toledo  |  Agência FAPESP – Os hidróxidos duplos lamelares (HDLs) são nanopartículas inorgânicas formadas por camadas sobrepostas de elementos como magnésio, ferro e alumínio. Estudos recentes têm sugerido que esse tipo de material, também conhecido como argila aniônica ou composto do tipo hidrotalcita, pode ser usado como carreador de fármacos.

Com apoio da FAPESP, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) testaram em ratos a biocompatibilidade de implantes contendo HDL. Análises feitas ao longo dos 30 dias seguintes ao procedimento cirúrgico mostraram que, além de não induzir inflamação, as nanopartículas inorgânicas aceleraram o processo de cicatrização do tecido.

Os resultados da pesquisa, feita durante o pós-doutorado de Vanessa Roberta Rodrigues da Cunha, foram divulgados na revista Scientific Reports.

“A maioria dos testes de toxicidade com esse tipo de material inorgânico é feita em culturas de células. Nós optamos por fazer o teste in vivo pensando em uma futura aplicação em humanos. Seria interessante, por exemplo, para o tratamento localizado da inflamação”, disse Vera Regina Leopoldo Constantino, professora do Instituto de Química (IQ) da USP e coordenadora do trabalho.

Como explicou a pesquisadora, partículas do tipo HDL podem ser encontradas na natureza ou sintetizadas em laboratório com alto grau de pureza, usando elementos presentes no organismo humano como zinco, magnésio e ferro – além de alumínio. As lamelas que formam o material possuem carga positiva e, para neutralizá-las, é necessário colocar entre elas uma espécie com carga negativa, como cloreto ou carbonato.

“O HDL formado por magnésio, alumínio e carbonato já é comercializado por um laboratório como um medicamento antiácido. A partir de 2001, começou a ser explorada na literatura científica a ideia de substituir o carbonato por um fármaco. Usar as lamelas para transportar esse fármaco dentro do organismo humano”, contou Constantino.

Vários estudos, relatou a pesquisadora, comprovaram que o fármaco fica mais protegido dentro das lamelas, o que pode ajudar a aumentar o tempo de prateleira do produto e promover uma liberação mais controlada do princípio ativo dentro do organismo, evitando picos que podem causar efeitos colaterais.

“Alguns estudos mostram ainda que, como as lamelas reduzem o processo de degradação do fármaco dentro do organismo, seria possível ao adotar esse carreador usar doses menores do princípio ativo, o que também contribui para a redução dos efeitos adversos. Antes de tudo, porém, é preciso comprovar que o material é biocompatível, ou seja, não vai induzir um processo inflamatório no organismo”, disse Constantino.

Neovascularização

Os experimentos em animais foram feitos por meio de uma colaboração com o grupo do professor Ivan Hong Jun Koh, da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp), cujo laboratório tem estudado a dinâmica circulatória dos microvasos – aqueles com diâmetro menor que 100 nanômetros.

Pastilhas de 5 milímetros (mm) de diâmetro e 2 mm de espessura contendo os HDLs sem nenhum tipo de fármaco foram implantadas no músculo abdominal de ratos adultos jovens e saudáveis. A região foi escolhida por ser altamente vascularizada e, caso ocorresse um processo inflamatório, seria fácil de detectá-lo.

Um grupo de animais recebeu HDL feito com magnésio, alumínio e cloreto e, outro, HDL de zinco, alumínio e cloreto. O processo de cicatrização foi acompanhado por 30 dias e comparado com o de outros dois grupos de animais: um controle negativo, submetido ao mesmo trauma cirúrgico, mas que não recebeu nenhum implante, e um controle positivo, no qual foi implantada uma tela de polipropileno – material reconhecidamente antigênico (capaz de induzir resposta inflamatória).

“Usamos uma abordagem inédita – a videomicroscopia SDF [Sidestream dark field] – para avaliar a capacidade de formação de novos vasos ao redor do implante. Esse dado é relevante porque, quando há inflamação, não se formam novos vasos sanguíneos e os microvasos já existentes passam a sofrer alterações na parede. Isso pode resultar na formação de trombos e na diminuição da densidade vascular local”, explicou o professor da Unifesp.

A metodologia, explicou Koh, permite avaliar tanto o número de vasos formados como suas características funcionais e estruturais, além da dinâmica do fluxo sanguíneo.

“Nos dois grupos de animais que receberam o implante de HDL a dinâmica circulatória foi tão boa quanto a do controle negativo. Notamos que o HDL feito com zinco estimulou mais do que o outro a neovascularização do tecido. Já no controle positivo observamos lesões vasculares”, contou Koh.

As análises histológicas mostraram que, enquanto no controle positivo houve ausência de reconstrução tecidual em decorrência da inflamação, nos dois grupos que receberam o HDL a resposta cicatricial ao final dos 30 dias foi ainda melhor que a observada no controle negativo. Segundo Koh, o resultado pode ser explicado pela presença dos metais zinco e magnésio, que são essenciais ao metabolismo celular e à estruturação de proteínas.

“O grupo que recebeu o HDL feito com zinco apresentou crescimento celular ainda mais acentuado e um tipo de colágeno diferente, mais frouxo, que o grupo submetido ao implante de HDL feito com magnésio. Isso é interessante, pois mostra que é possível controlar o tipo de proteína que será formado ao redor desse carreador de acordo com a necessidade de cada caso”, avaliou Koh.

Para o pesquisador, os resultados indicam um grande potencial de aplicabilidade dos HDLs como carreadores de fármacos e, até mesmo, como estimulantes de proliferação celular.

Próximas etapas

Os primeiros testes de biocompatibilidade dos implantes de HDL foram feitos em tecido muscular sadio. Segundo Constantino, atualmente estão sendo feitos novos experimentos nos quais as pastilhas implantadas contêm uma substância capaz de causar inflamação no tecido e também HDLs acoplados a um fármaco anti-inflamatório. Os resultados devem ser divulgados em breve.

O artigo “Accessing the biocompatibility of layered double hydroxide by intramuscular implantation: histological and microcirculation evaluation” pode ser lido em www.nature.com/articles/srep30547.

PÓS-DOUTORADO EM NANOTECNOLOGIA COM BOLSA DA FAPESP

O Centro de Inovação em Sistemas Nanoestruturados e de Administração Tópica (NanoTop), da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP), oferece uma oportunidade de Pós-Doutorado em Nanotecnologia com bolsa FAPESP. O prazo de inscrição encerra em 20 de fevereiro.

O bolsista fará parte da equipe de pesquisa que compõe o Projeto Temático “Sistemas de liberação sustentada e direcionada de fármacos para o tecido epitelial“.

O projeto de Pós-Doutorado prioriza o desenvolvimento de formulações líquido-cristalinas dendriméricas para aplicação tópica e a avaliação de sua influência na eficiência da iontoforese e do ultrassom de baixa frequência como promotores de absorção cutânea.

Os candidatos devem possuir conhecimentos técnico-científicos na área de aplicação e desenvolvimento do projeto. Será dada preferência a candidatos com experiência comprovada em: desenvolvimento de métodos analíticos para quantificação de fármacos em matrizes biológicas, síntese e purificação de polímeros biodegradáveis, desenvolvimento de sistemas de liberação nanoparticulados e sua caracterização por diferentes métodos, ensaios de permeação cutânea in vitro, cultura de células e avaliação de uptake celular, citometria de fluxo, microscopia confocal a laser e experimentação animal.

Os interessados devem ter obtido o título de doutor recentemente, no máximo nos últimos dois anos, de preferência na área das Ciências Farmacêuticas.

Os candidatos devem enviar curriculum vitae (ou link do currículo Lattes), duas cartas de recomendação e uma carta de intenções para Renata Fonseca Vianna Lopez, pesquisadora responsável pelo Projeto Temático no e-mail rvianna@fcfrp.usp.br.

A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1433/.

Os selecionados receberão bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica da bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso os bolsistas residam em domicílio diferente e precisem se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderão ter direito a um Auxílio-Instalação.

Mais informações sobre a bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas de Pós-Doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades.

Treinamento Técnico em Química com Bolsa da FAPESP

08 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – O Laboratório da Catálise para o Desenvolvimento Sustentável do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus Baixada Santista, está oferecendo duas vagas de Treinamento Técnico TT-2 em Química com bolsa FAPESP. O prazo de inscrição encerra em 15 de fevereiro.

As duas vagas estão vinculadas ao projeto de pesquisa “Desenvolvimento de catalisadores sólidos baseados em óxidos semicondutores para produção de hidrogênio a partir da fotólise de água, que tem Yvan Jesus Olortiga Asencios como pesquisador responsável.

O bolsista selecionado para a primeira vaga participará do projeto “Estudos da atividade fotocatalítica de catalisadores baseados em óxidos semicondutores na degradação de contaminantes orgânicos em diversas condições”, que pretende avaliar a atividade fotocatalítica de catalisadores na degradação de um contaminante orgânico de difícil remoção por tratamentos de água convencionais.

Com duração de 12 meses (40 horas semanais), o projeto contempla a preparação dos catalisadores, caracterizações por duas técnicas físico-químicas e a realização dos testes catalíticos de degradação. Os resultados devem oferecer uma alternativa de solução aos problemas ambientais causados por contaminação de águas para consumo humano, com a elaboração de alguns artigos científicos a serem publicados em revistas indexadas e com diversas apresentações em eventos científicos. O projeto pode ter continuação com um curso de nível superior e de pós-graduação na área da química.

O bolsista selecionado para a segunda vaga participará do projeto “Produção de hidrogênio por fracionamento fotocatalítico de água Water Splitting usando diversos óxidos semicondutores”.

O projeto terá  duração de 12 meses (40 horas semanais) e tem como objetivo estudar o processo de produção de hidrogênio usando apenas água, catalisadores sólidos e moléculas orgânicas modelos de contaminantes orgânicos sobre luz (radiação UV ou visível). O plano de trabalho contempla a preparação, a caracterização por duas técnicas e testes catalíticos.

Os resultados devem oferecer uma alternativa de solução aos problemas energéticos e ambientais, com a elaboração de alguns artigos científicos a serem publicados em revistas indexadas e com diversas apresentações em eventos científicos. O projeto pode ter continuação com um curso de nível superior e de pós-graduação na área da química.

Os candidatos devem ter diploma de Técnico em Química ou em área correlata; não ter reprovações no histórico escolar e ter duas referências pessoais (professores ou ex-chefes).

Os interessados devem entrar em contato com Yvan Jesus Olortiga Asencios pelo e-mail yvanolortiga@gmail.com ou pelos correios no seguinte endereço: Universidade Federal de São Paulo, Edifício Acadêmico II, à rua Dr. Carvalho de Mendonça, 144, Encruzilhada, em Santos, CEP 11070-100.

A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1430/.

Para mais informações sobre as bolsas de Treinamento Técnico acesse fapesp.br/bolsas/tt e fapesp.br/3098.

Informações sobre valores das bolsas TT estão disponíveis no endereço fapesp.br/3162.

Instituto de Física da USP abre concurso para professor doutor

03 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – O Instituto de Física da Universidade de São Paulo abriu inscrições ao Concurso de Títulos e Provas para o provimento de um cargo de Professor Doutor (MS-3.1), em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), no Departamento de Física dos Materiais e Mecânica, com salário de R$ 10.360,07. O prazo de apresentação de candidaturas encerra em 3 de abril.

Os formulários para as inscrições e os editais estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/ataac/pt-br/node/4866.

Para candidatos estrangeiros, as instruções e os formulários para as inscrições estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/fmt/pt-br/node/1600.

Informações adicionais poderão ser obtidas na Assistência Acadêmica do IFUSP no Telefones (11) 3091-6020 e (11) 3091-7000.

Pós-Doutorado em Imunologia da Malária com Bolsa da FAPESP

03 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – O Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) oferece uma oportunidade de Pós-Doutorado em Imunologia da Malária no Laboratório de Imunologia das Doenças Infecciosas com Bolsa da FAPESP. O prazo de inscrição encerra em 15 de fevereiro.

A oportunidade está vinculada ao Projeto Temático “Intervenção em vias de sinalização associadas ao reconhecimento de dano celular visando reduzir a patologia das formas graves de malária e tuberculose”, que tem Maria Regina D’Império Lima como pesquisadora responsável.

O objetivo do projeto é caracterizar os receptores de sinais de dano celular envolvidos na progressão das formas graves de malária e tuberculose, visando interferir nestas vias de sinalização a fim de melhorar o prognóstico da doença.

O bolsista participará de subprojeto que investiga o papel dos receptores purinérgicos e ecto-nucleotidases no desenvolvimento da resposta de células T CD4 à malária.

Os candidatos devem ter concluído o doutorado há menos de sete anos, além de experiência prévia nas áreas de imunologia (ênfase em receptores purinérgicos) e doenças infecciosas humanas e modelos experimentais (ênfase em malária), confirmada por publicações e/ou dissertação/tese de mestrado e doutorado.

É imprescindível que tenham experiência com ensaios imunológicos in vivo e in vitro, citometria de fluxo, cultura celular, imuno-histoquímica, imunofluorescência, microscopia confocal, PCR quantitativo, western blot e análise de polimorfismo gênico, bem como outras técnicas de biologia molecular.

Os candidatos deverão enviar curriculum vitae, uma carta explicando as razões do interesse na posição e duas cartas de recomendação de profissionais de sua área de atuação para Maria Regina D’Império Lima no endereço reimper@gmail.com.

A oportunidade está publicada em http://www.fapesp.br/oportunidades/1409/.

O selecionado receberá bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica da bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação.

Mais informações sobre a bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em fapesp.br/bolsas/pd.

Outras vagas de bolsas de Pós-Doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades.

Abertas as inscrições para o Prêmio José Reis de Divulgação Científica

06 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou a 37ª edição do Prêmio José Reis de Divulgação Científica que premiará, em 2017, um jornalista profissional de destaque na difusão da Ciência, da Tecnologia e da Inovação nos meios de comunicação de massa. As inscrições encerram em 17 de abril.

As inscrições devem ser enviadas via Correios ao CNPq – Serviço de Prêmios e a documentação necessária inclui a Ficha de Inscrição, cópia do registro de jornalista, currículo atualizado em 2017 na Plataforma Lattes, justificativa que evidencie a contribuição do candidato à divulgação da ciência, da tecnologia e da inovação e apresentação dos trabalhos mais importantes.

A ficha de inscrição e mais informações podem ser obtidas na página do Prêmio na internet: http://www.premiojosereis.cnpq.br/web/pjr/.

O vencedor recebe uma premiação em dinheiro no valor de R$ 20 mil e diploma, além de participar da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho de 2017, que ocorrerá em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Instituído em 1978, o Prêmio é uma homenagem ao médico, pesquisador, jornalista e educador José Reis, que teve uma grande atuação no fortalecimento da divulgação científica no Brasil, sendo um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e de sua revista Ciência e Cultura e manteve, por 55 anos, uma coluna no jornal Folha de S. Paulo.

Anualmente, é escolhido um nome em uma das três categorias, que se revezam – “Jornalista em Ciência e Tecnologia”, “Instituição e Veículo de Comunicação” e “Pesquisador e Escritor” – que tenha contribuído, significativamente, para a formação de uma cultura científica e por tornar a Ciência, a Tecnologia e a Inovação conhecidas da sociedade.

A escolha é feita por uma Comissão Julgadora, designada pelo presidente do CNPq, composta por seis membros, sendo três de sua livre escolha e três indicados pelas seguintes entidades: Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Institutos Max Planck oferecem oportunidades de doutorado e pós-doutorado

02 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – Os Institutos Max Planck oferecem oportunidades de doutorado e pós-doutorado em várias áreas do conhecimento.

Nas áreas de Biologia e Medicina, há vagas nos Institutos Max Planck de Cibernética Biológica, de Biologia Molecular e Genética, de Investigação de Cultivo de Vegetal, de Bioquímica, entre outros.

As vagas nas áreas de Física, Química e Tecnologia estão distribuídas entre os Institutos Max Planck de Sistemas Inteligentes, de Investigação de Sistema Solar, de Química Biofísica, entre outros.

Na área de Humanidades e Ciências Sociais, as oportunidades estão vinculadas aos Institutos Max Planck de Ciência Humanas Cognitivas e Cerebrais e de Direito e Política Social.

Para mais informações e inscrições acesse https://drive.google.com/file/d/0B0xFil6JZSh1RkUtN0pkb2xXYTA/view ou a página do Instituto no Facebook www.facebook.com/sociedadmaxplanck.

Outras informações podem ser obtidas por e-mail no endereço latam@gv.mpg.de.

Instituto de Química da Unicamp seleciona doutor para bolsa PNPD-Capes

01 de fevereiro de 2017

Agência FAPESP – A Comissão de Pós-Graduação do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp) está selecionando um doutor para o Programa Nacional de Pós-Doutorado da Coordenação Nacional para o Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PNPD-Capes), regulamentado pela portaria da Capes 086/2013. O prazo de inscrição encerra em 26 de fevereiro.

Serão aceitos projetos em todas as áreas da Química e ciências correlatas. É desejável que o projeto contemple temática atual de pesquisa e que a proposta seja compatível com a infraestrutura disponível no IQ-Unicamp. Serão consideradas propostas totalmente independentes ou vinculadas a algum grupo do IQ com trabalho de pesquisa correlato. O candidato terá acesso a toda a infraestrutura de pesquisa disponível no IQ-Unicamp.

As propostas recebidas serão avaliadas por uma comissão composta pelos membros da comissão de pós-graduação e pelo coordenador de pesquisa do IQ-Unicamp, considerando o currículo e o projeto do proponente.

A bolsa iniciará em março de 2017 até 31 de agosto de 2018. O valor da mensalidade é de R$ 4.100,00.

As propostas serão recebidas pelo e-mail cpgiq@iqm.unicamp.br ou cpesquisa@iqm.unicamp.br.

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